• Manoel Cândido e Rayssa Mota

Professor, escritor, jornalista: Conheça os vários Jurani's


Cearense do sertão, matuto da roça, amante dos livros, do jornalismo, da literatura e cronista de carteirinha. Fez do gênero literário um de seus refúgios diários, do magistério, a sua terapia, e do jornalismo uma paixão. Apresento-vos, Jurani Oliveira Clementino. Filho de pais agricultores. A mãe é professora, profissão que ele próprio veio a desempenhar tempos depois. Foi encarar a vida mundo a fora, deixando lá em Várzea Alegre os seus entes mais queridos.

O descobrimento do cronista se deu através de uma professora que estava fazendo um treinamento para os professores do Programa Educacional Jovens e Adultos. Jurani participava do treinamento. Foi pedido que todos ali produzissem algum texto. Ele então produziu uma crônica, cujo trabalho foi escolhido pela professora.



Ao ser perguntado quem havia produzido a crônica, Jurani ficou temeroso, mas se identificou como o benfeitor daquela pequena grande obra. Mal sabia que ali começava a sua trajetória em busca do tão esperado curso de Jornalismo. A professora perguntou se ele fazia faculdade. Ele disse que não, que queria Jornalismo, mas, só tinha Direito pelas redondezas. Jornalismo estava longe de sua realidade naquele momento. Foi então que a professora arrumou a papelada e fez a inscrição dele. Participou da seleção, passou, foi cursar Jornalismo na UEPB, em Campina Grande-PB, e acabou por morar na casa da professora.



Há pouco tempo, encontrou sua incentivadora que, com um sorriso de satisfação no rosto, disse: “olha, o meu dedo é bom’. Com razão, que o diga a própria história de conquistas do jovem Clementino. O jornalismo veio, seu sonho foi realizado, mas isso não bastava. O dom literário se fez presente tanto em suas práticas jornalísticas como docente. Entra em cena o Jurani escritor, começando, de forma oficial, em 2013, com o lançamento do livro “Zé Clementino: o matuto que devolveu o trono ao rei”. Em 2018, lançou “Forró no Sítio” e sua obra mais recente, lançada 2019, “Memórias Sertanejas”. Já em 2020 Jurani, lançou a segunda edição de seu primeiro livro, sobre Zé Clementino, em versão revista e ampliada.



Outras produções podem ser ouvidas através das ondas sonoras da Rádio Cultura de Várzea Alegre, bem como lidas em sua coluna pelo portal Paraíba Online. Inspirado por grandes autores brasileiros como Raquel de Queiroz, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos e o regionalista paraibano, e não menos importante, José Lins do Rêgo. Ele escreve nos bares, nas calçadas, no carro, e até na sala de aula enquanto os alunos desenvolvem alguma atividade. A inspiração não tem hora, nem local e nem momento, simplesmente chega e ele a sente, se realizando como escritor.

A paixão de lecionar Jornalismo caiu de paraquedas em seu colo, como afirma, “nunca foi um projeto sonhado”. Sua trajetória no âmbito acadêmico iniciou-se a partir de uma oportunidade concedida por uma indicação de uma colega do ramo. Em 2006, após especialização, Jurani se dividia como produtor/editor da TV Paraíba e docente no curso de Comunicação em uma faculdade de Caruaru-PE.

Suas experiências na TV Paraíba, relatadas na disciplina de Telejornalismo, despertavam interesse e paixão nos discentes e a prática docente se tornou prazerosa para o jovem professor que começou a investir na área acadêmica. Atualmente, as disciplinas que o desafiam a crescer e desenvolver o conhecimento tanto profissional como pessoal, são: Publicidade e Propaganda, Jornalismo Digital e Comunicação e Desenvolvimento Regional.

É enfático ao frisar que “a empatia que existe com a turma e o apoio na execução da disciplina, modifica o cenário de trabalho em terapia”.

Sua disciplina favorita é Sociologia da Comunicação, mas o desejo de retornar à pegada do Telejornalismo permanece crescente.



Voltando a falar sobre o Jurani jornalista, um fato marcou sua vida e o fez refletir sobre o impacto e responsabilidade da informação, mídia e divulgação. O caso de um homem que acabou preso suspeito de estuprar e matar uma criança o marcou profundamente. Ao descrever o fato, ele expõe que o destaque dessa notícia determinou um desfecho que contribuiu para que a população chegasse a ponto de aplaudir e comemorar, como se fosse a “final da copa do mundo”, a morte do então suspeito na cadeia.

O jornalista, professor e escritor declara que estas práticas estão atreladas a sua vida social, são suas vivências em cada espaço e com diferentes sujeitos que forjam sua capacidade literária. No campo docente, carrega a exigência da dedicação e tempo de qualidade ao planejamento para ministrar suas aulas. Em tom de brincadeira, menciona que a vida de “dono de casa” é a que mais lhe dá trabalho.


Como escritor, é um presente para ele ter a suas obras bem-vindas aos corações do público nordestino/sertanejo e através dela ter conseguido manifestar a sua própria identidade.


Expressou ainda sua alegria ao ver uma leitora descrevendo que “a escrita do Jurani é tão boa que nos leva a estar nos lugares que ele percorreu... a sentir o cheiro da comida do sertão, a conhecer os personagens citados, a ir e andar pelas ruas de Várzea Alegre sem ter ido lá”.

A temática sertaneja relata a sua essência e o tempo que dedica para suas obras torna-se mínimo pelo fato de ser amante da escrita e possuir facilidade em produzir histórias, poesias, crônicas e contos. Com o auxílio de conteúdos arquivados, tornou-se mais rápido a publicação de um dos seus livros intitulado de “Memórias sertanejas: Tardes, calçadas, redes e alpendres”, inclusive, é o seu mais novo lançamento.



Quando indagado sobre o sonho que desejaria realizar no futuro, responde que embora não tenha projetado grandes planos para si, vivenciou inúmeras experiências, como ir para New York, viagem que ganhou como prêmio do Concurso Nacional de Cronista, ou até mesmo iniciar sua carreira como docente, e mantém a ideia da possibilidade de futuramente ganhar dinheiro como escritor.

Para ele, a famosa citação do músico Zeca Pagodinho “deixa a vida me levar” faz total sentido, pois é nessa pegada que a sua vida pode ser vista como uma sucessão de acasos. Um dos seus últimos acasos foi sua entrada na Academia de Letras de Campina Grande. Mérito alcançado através do reconhecimento e notoriedade de sua coluna de crônicas do Paraíba Online.


Foi convidado para participar da seleção pelo Presidente da Academia de Letras, o professor Josemir Camilo. Clementino não colocou tanta “fé” nisso. Pensou não conseguir se eleger. Porém, foi eleito e tomou posse em novembro do ano passado, passando a ocupar a cadeira 29 cujo patrono é Lino Fernandes de Azevedo. que fundou clubes de leitura e bibliotecas públicas em Campina na década de 1940. O último ocupante foi o professor, teatrólogo, escritor e jornalista Hermano José.


Para finalizar essa história, dizemos que Jurani, simplesmente, vive de acordo com a música que “a vida toca”, criando, mas também aproveitando as oportunidades que lhe são propostas, sem deixar sua identidade por nada, pois é ela que o leva a lugares inimagináveis.

FICHA TÉCNICA:

Fotografia: Manoel Cândido; Rayssa Mota; Marcela Valentim e Thaiza Souza

Reportagem, pauta e produção: Manoel Cândido; Rayssa Mota

Edição: Manoel Cândido

Supervisão Editorial: Rostand Melo e Ada Guedes

Agradecimentos a:

Prof. Jurani Clementino (Tio Jura) pela disponibilidade e parceria.

Profa. Ada Guedes pelas sugestões de melhoramento do texto/perfil.

#jornalismo #JuraniClementino #UEPB #AlunosdaUEPB #Perfil #Paraíba #ManoelCândido

Supervisão Editorial: 

Rostand Melo (DRT-PB 2717)

coletivof8.foto@gmail.com

Projeto de extensão - cota 2019/2020

Edital nº 02/2019 - PROEX/UEPB 

Decom2.png

© 2018-2020 Coletivo F8

Todos os direitos reservados

Logo Coletivo F8 criada por: Alexandre César.

© 2018-2020 Coletivo F8

Todos os direitos reservados