Empreendedorismo nas redes: Estratégias digitais que impulsionam vendas
- coletivof8noite
- há 2 dias
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A popularização das redes sociais transformou a forma como produtos e serviços são divulgados e consumidos. Plataformas que antes eram utilizadas apenas para interação social passaram a funcionar como vitrines comerciais, abrindo espaço para que pequenos e médios empreendedores encontrem novas oportunidades de negócio no ambiente digital. Na Paraíba, essa realidade tem se fortalecido à medida que comerciantes e prestadores de serviço utilizam ferramentas como Instagram, Facebook e WhatsApp para alcançar clientes, ampliar vendas e consolidar suas marcas no mercado.
Esse movimento acompanha uma tendência nacional de expansão do empreendedorismo digital. Pesquisas apontam que a criação de conteúdo e a venda de produtos online têm contribuído para a diversificação das fontes de renda e para a profissionalização de muitos trabalhadores. É o que aponta o levantamento “O impacto socioeconômico dos negócios digitais da Creator Economy no Brasil” da FGV Comunicação Rio, disponível aqui.
Segundo a pesquisadora Beatriz Pinheiro, da Fundação Getulio Vargas (FGV), os criadores e empreendedores digitais passaram a adotar cada vez mais ferramentas tecnológicas e também a formalizar suas atividades. “Os resultados indicam que a venda de produtos digitais contribuiu para a diversificação das fontes de receita desses produtores. Nós vimos também que os criadores de conteúdo passaram a usar mais ferramentas tecnológicas e a se formalizar como pessoa jurídica”, afirma.
Redes sociais criam nova relação com os clientes
Na prática, a presença nas redes sociais tem provocado mudanças na forma como os empreendedores se relacionam com os clientes. Para Andreyna Veloso, proprietária do Restaurante Niran, localizado no município de Itabaiana, a decisão de investir no ambiente digital surgiu a partir da necessidade de tornar o atendimento mais rápido e eficiente. Segundo ela, o uso das plataformas ajudou a aproximar o público do produto oferecido.
“No atendimento a gente viu a necessidade de uma atualização, os pedidos precisavam ser mais rápidos e buscamos um sistema que ajudasse a agilizar. A gente começou a perceber que as fotos e os vídeos traziam conhecimento para o público. As pessoas veem aquelas imagens e passam a ter mais vontade de experimentar o produto”, explica.

Hoje, a empresária afirma que é difícil imaginar o funcionamento do negócio sem o apoio das redes sociais.
“A mídia nas redes sociais hoje é o que a gente vê em números. A gente trabalha muito em cima de seguidores e os nossos são reais. Quando as pessoas chegam aqui dizendo que viram no Instagram ou em outra rede social, isso traz para nós uma visão mais clara do impacto que a mídia tem. É fundamental e essencial para o nosso ramo”, afirma.
Para Victor J., colaborador do restaurante Niran, a presença nas redes sociais também contribuiu para aproximar ainda mais a equipe dos clientes. Segundo ele, os vídeos publicados nas plataformas ajudaram a tornar o atendimento mais reconhecido pelo público. “Muita gente chega aqui e já me chama pelo nome porque já me viu nos vídeos do Instagram. Isso é muito bom, a gente percebe que o cliente já chega com uma proximidade maior”.
Ele destaca que esse reconhecimento também está ligado ao atendimento oferecido pela equipe. “Muitas vezes os clientes perguntam se a gente faz algum curso para ser garçom, porque elogiam muito o atendimento. Não só o meu, mas de toda a equipe, tanto do salão quanto da cozinha. Isso acontece com frequência e mostra que o cliente valoriza essa experiência”, relata.
Até 80% das vendas começam no ambiente digital
Experiência semelhante é relatada por Matheus Montenegro, proprietário da loja Matheus Connect, que funciona na cidade de Alagoa Grande. Segundo ele, o ambiente digital foi determinante para o crescimento do negócio e até mesmo para a criação da loja física. “Foi através das redes sociais que surgiu a ideia de abrir a loja física. Hoje a maioria das vendas se concentra no online. Muitas pessoas que vêm comprar aqui já viram o produto no Instagram ou já conversaram com a gente antes pela internet”, afirma.
De acordo com o empreendedor, cerca de 80% das vendas da loja são iniciadas no ambiente digital, enquanto apenas 20% acontecem diretamente no ponto físico.
“Sem o online, as vendas cairiam drasticamente. A base de tudo hoje é o digital”, completa.

Estratégias inovadoras atraem o consumidor
Para Cecília Almeida, funcionária da loja, as redes sociais também funcionam como um primeiro contato entre cliente e produto. “Muitas vezes as pessoas veem algo que a gente posta no Instagram e vêm até a loja atrás daquele produto específico e quando o cliente chega aqui acabamos mostrando outros produtos também”, explica.
Ela ressalta ainda que o uso de vídeos curtos, como os Reels, tem sido uma estratégia importante para atrair a atenção do público. “A gente cria vídeos às vezes até com um formato mais engraçado para que a pessoa se interesse e continue assistindo. Assim ela acaba conhecendo algum produto da loja”, relata Cecília.

Tendência de crescimento
Para profissionais que atuam diretamente com marketing digital e produção de conteúdo, a tendência é que a presença online dos empreendimentos se fortaleça ainda mais nos próximos anos, especialmente com o avanço de novas tecnologias. Krystirllayne Silva, sócia e idealizadora da Farol Digital, acredita que ferramentas como a inteligência artificial devem contribuir para ampliar as possibilidades do setor.
“A tendência é aumentar e aprimorar mais, porque agora está chegando a inteligência artificial. Na minha opinião, é uma das áreas em que a IA não vai dominar, mas vai agregar. Quem souber usar a tecnologia vai conseguir administrar melhor e atender mais empresas, porque a IA ajuda, mas não substitui o trabalho”, avalia.

Mesmo com todas as oportunidades oferecidas pelo ambiente digital, ainda existem empreendedores que resistem à utilização das redes sociais como ferramenta de divulgação. Para Jakerlane Souza, também sócia e idealizadora da Farol Digital, essa postura pode comprometer a competitividade das empresas no mercado atual.
“Tem empreendedores que acham que não é necessário, mas é. Se uma empresa não tiver um Instagram ativo, se não estiver se atualizando nas redes, fica para trás. A gente vê isso na prática: quando você entra em um perfil e ninguém responde, ou demora muito para responder, ou não tem stories atualizados, muitas pessoas deixam de comprar ali para comprar em outra que está presente e ativa nas redes”, explica.

O filmmaker e produtor de conteúdo João V. reforça que empreendedores que entendem o potencial do ambiente digital conseguem se destacar da concorrência.
“O empreendedor que percebe que o digital é uma vitrine sai disparado na frente dos concorrentes”.
Para ele, resultados expressivos podem surgir quando a presença online é bem trabalhada. Em um dos projetos acompanhados por ele, um perfil profissional teve um crescimento de mais de 1.100% em alcance nas redes sociais, saltando de poucas centenas para mais de 20 mil visualizações em apenas quinze dias.
Diferencial para os consumidores
Para os consumidores, a presença digital das empresas também influencia diretamente no processo de compra. A estudante Alana Gabriely afirma que utiliza frequentemente ferramentas digitais para pesquisar e adquirir produtos. “Utilizo com frequência aplicativos e redes sociais, porque o processo de escolha e compra acaba sendo mais ágil”, explica.
Essa percepção também é compartilhada pela consumidora Emilly Karolyne, que utiliza diariamente plataformas digitais para acompanhar marcas e produtos. Para ela, empresas que mantêm uma presença visual organizada nas redes sociais acabam se destacando entre tantas opções disponíveis no ambiente digital.
“Quando a empresa tem uma estética bonita, organizada e ativa nas redes, passa mais confiança e dá mais vontade de comprar. Parece que é mais profissional”, comenta.

A consumidora também afirma que esse cuidado com a comunicação visual se torna um diferencial no momento da escolha. “Hoje em dia tem muita opção, então uma marca que se destaca visualmente e se comunica bem acaba chamando mais atenção e influenciando minha decisão de compra”, conclui.
Diante dessas experiências, empreendedores, profissionais do marketing e consumidores demonstram que o ambiente digital deixou de ser apenas um espaço complementar para se tornar parte essencial das estratégias de venda e comunicação.
O empreendedorismo digital segue ganhando espaço como uma alternativa acessível e dinâmica para pequenos negócios que buscam se destacar no mercado. Seja por meio de fotos, vídeos, anúncios ou atendimento direto pelas plataformas, o que antes era apenas um espaço de convivência virtual hoje se consolida como uma das principais vitrines do comércio contemporâneo, conectando empreendedores e consumidores em uma realidade cada vez mais digital.
EXPEDIENTE:
Fotografia: Kércia Veloso e Paulo Manoel
Reportagem: Kércia Veloso e Paulo Manoel
Pauta:Kércia Veloso e Paulo Manoel
Entrevistados: Andreyna Veloso, Victor J. da Silva, Krystirllayne Silva, Jakerlane Souza, Ranielly Vitória, Matheus Montenegro, Cecilia Almeida, João Victor Freitas, Alana Gabriely, Emilly Karolyne
Edição: Laís França e Gerson Bruno
Supervisão Editorial: Rostand Melo e Ada Guedes



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