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Empreendedorismo nas redes: Estratégias digitais que impulsionam vendas

  • coletivof8noite
  • há 2 dias
  • 6 min de leitura
Fotografia: Kércia Veloso
Fotografia: Kércia Veloso

A popularização das redes sociais transformou a forma como produtos e serviços são divulgados e consumidos. Plataformas que antes eram utilizadas apenas para interação social passaram a funcionar como vitrines comerciais, abrindo espaço para que pequenos e médios empreendedores encontrem novas oportunidades de negócio no ambiente digital. Na Paraíba, essa realidade tem se fortalecido à medida que comerciantes e prestadores de serviço utilizam ferramentas como Instagram, Facebook e WhatsApp para alcançar clientes, ampliar vendas e consolidar suas marcas no mercado.


Esse movimento acompanha uma tendência nacional de expansão do empreendedorismo digital. Pesquisas apontam que a criação de conteúdo e a venda de produtos online têm contribuído para a diversificação das fontes de renda e para a profissionalização de muitos trabalhadores. É o que aponta o levantamento O impacto socioeconômico dos negócios digitais da Creator Economy no Brasil” da FGV Comunicação Rio, disponível aqui.


Segundo a pesquisadora Beatriz Pinheiro, da Fundação Getulio Vargas (FGV), os criadores e empreendedores digitais passaram a adotar cada vez mais ferramentas tecnológicas e também a formalizar suas atividades. “Os resultados indicam que a venda de produtos digitais contribuiu para a diversificação das fontes de receita desses produtores. Nós vimos também que os criadores de conteúdo passaram a usar mais ferramentas tecnológicas e a se formalizar como pessoa jurídica”, afirma.


Redes sociais criam nova relação com os clientes


Na prática, a presença nas redes sociais tem provocado mudanças na forma como os empreendedores se relacionam com os clientes. Para Andreyna Veloso, proprietária do Restaurante Niran, localizado no município de Itabaiana, a decisão de investir no ambiente digital surgiu a partir da necessidade de tornar o atendimento mais rápido e eficiente. Segundo ela, o uso das plataformas ajudou a aproximar o público do produto oferecido.


“No atendimento a gente viu a necessidade de uma atualização, os pedidos precisavam ser mais rápidos e buscamos um sistema que ajudasse a agilizar. A gente começou a perceber que as fotos e os vídeos traziam conhecimento para o público. As pessoas veem aquelas imagens e passam a ter mais vontade de experimentar o produto”, explica.


Andreyna Veloso, proprietária do Restaurante Niran. Fotografia: Kércia Veloso
Andreyna Veloso, proprietária do Restaurante Niran. Fotografia: Kércia Veloso

Hoje, a empresária afirma que é difícil imaginar o funcionamento do negócio sem o apoio das redes sociais.


“A mídia nas redes sociais hoje é o que a gente vê em números. A gente trabalha muito em cima de seguidores e os nossos são reais. Quando as pessoas chegam aqui dizendo que viram no Instagram ou em outra rede social, isso traz para nós uma visão mais clara do impacto que a mídia tem. É fundamental e essencial para o nosso ramo”, afirma.

Para Victor J., colaborador do restaurante Niran, a presença nas redes sociais também contribuiu para aproximar ainda mais a equipe dos clientes. Segundo ele, os vídeos publicados nas plataformas ajudaram a tornar o atendimento mais reconhecido pelo público. “Muita gente chega aqui e já me chama pelo nome porque já me viu nos vídeos do Instagram. Isso é muito bom, a gente percebe que o cliente já chega com uma proximidade maior”.


Ele destaca que esse reconhecimento também está ligado ao atendimento oferecido pela equipe. “Muitas vezes os clientes perguntam se a gente faz algum curso para ser garçom, porque elogiam muito o atendimento. Não só o meu, mas de toda a equipe, tanto do salão quanto da cozinha. Isso acontece com frequência e mostra que o cliente valoriza essa experiência”, relata.


Até 80% das vendas começam no ambiente digital


Experiência semelhante é relatada por Matheus Montenegro, proprietário da loja Matheus Connect, que funciona na cidade de Alagoa Grande. Segundo ele, o ambiente digital foi determinante para o crescimento do negócio e até mesmo para a criação da loja física. “Foi através das redes sociais que surgiu a ideia de abrir a loja física. Hoje a maioria das vendas se concentra no online. Muitas pessoas que vêm comprar aqui já viram o produto no Instagram ou já conversaram com a gente antes pela internet”, afirma.


De acordo com o empreendedor, cerca de 80% das vendas da loja são iniciadas no ambiente digital, enquanto apenas 20% acontecem diretamente no ponto físico.


“Sem o online, as vendas cairiam drasticamente. A base de tudo hoje é o digital”, completa.

Matheus Montenegro da loja Matheus Connect. Fotografia: Paulo Manoel
Matheus Montenegro da loja Matheus Connect. Fotografia: Paulo Manoel

Estratégias inovadoras atraem o consumidor


Para Cecília Almeida, funcionária da loja, as redes sociais também funcionam como um primeiro contato entre cliente e produto. “Muitas vezes as pessoas veem algo que a gente posta no Instagram e vêm até a loja atrás daquele produto específico e quando o cliente chega aqui acabamos mostrando outros produtos também”, explica.


Ela ressalta ainda que o uso de vídeos curtos, como os Reels, tem sido uma estratégia importante para atrair a atenção do público. “A gente cria vídeos às vezes até com um formato mais engraçado para que a pessoa se interesse e continue assistindo. Assim ela acaba conhecendo algum produto da loja”, relata Cecília.


Cecília Almeida da loja Matheus Connect. Fotografia: Paulo Manoel
Cecília Almeida da loja Matheus Connect. Fotografia: Paulo Manoel

Tendência de crescimento


Para profissionais que atuam diretamente com marketing digital e produção de conteúdo, a tendência é que a presença online dos empreendimentos se fortaleça ainda mais nos próximos anos, especialmente com o avanço de novas tecnologias. Krystirllayne Silva, sócia e idealizadora da Farol Digital, acredita que ferramentas como a inteligência artificial devem contribuir para ampliar as possibilidades do setor.


“A tendência é aumentar e aprimorar mais, porque agora está chegando a inteligência artificial. Na minha opinião, é uma das áreas em que a IA não vai dominar, mas vai agregar. Quem souber usar a tecnologia vai conseguir administrar melhor e atender mais empresas, porque a IA ajuda, mas não substitui o trabalho”, avalia.


Equipe da Farol Digital. Fonte: Kércia Veloso
Equipe da Farol Digital. Fonte: Kércia Veloso

Mesmo com todas as oportunidades oferecidas pelo ambiente digital, ainda existem empreendedores que resistem à utilização das redes sociais como ferramenta de divulgação. Para Jakerlane Souza, também sócia e idealizadora da Farol Digital, essa postura pode comprometer a competitividade das empresas no mercado atual.


“Tem empreendedores que acham que não é necessário, mas é. Se uma empresa não tiver um Instagram ativo, se não estiver se atualizando nas redes, fica para trás. A gente vê isso na prática: quando você entra em um perfil e ninguém responde, ou demora muito para responder, ou não tem stories atualizados, muitas pessoas deixam de comprar ali para comprar em outra que está presente e ativa nas redes”, explica.


Fotografia: Kércia Veloso
Fotografia: Kércia Veloso

O filmmaker e produtor de conteúdo João V. reforça que empreendedores que entendem o potencial do ambiente digital conseguem se destacar da concorrência.


“O empreendedor que percebe que o digital é uma vitrine sai disparado na frente dos concorrentes”.

Para ele, resultados expressivos podem surgir quando a presença online é bem trabalhada. Em um dos projetos acompanhados por ele, um perfil profissional teve um crescimento de mais de 1.100% em alcance nas redes sociais, saltando de poucas centenas para mais de 20 mil visualizações em apenas quinze dias.


Diferencial para os consumidores


Para os consumidores, a presença digital das empresas também influencia diretamente no processo de compra. A estudante Alana Gabriely afirma que utiliza frequentemente ferramentas digitais para pesquisar e adquirir produtos. “Utilizo com frequência aplicativos e redes sociais, porque o processo de escolha e compra acaba sendo mais ágil”, explica.


Essa percepção também é compartilhada pela consumidora Emilly Karolyne, que utiliza diariamente plataformas digitais para acompanhar marcas e produtos. Para ela, empresas que mantêm uma presença visual organizada nas redes sociais acabam se destacando entre tantas opções disponíveis no ambiente digital.


“Quando a empresa tem uma estética bonita, organizada e ativa nas redes, passa mais confiança e dá mais vontade de comprar. Parece que é mais profissional”, comenta.

Cecília Almeida da loja Matheus Connect. Fotografia: Paulo Manoel
Cecília Almeida da loja Matheus Connect. Fotografia: Paulo Manoel

A consumidora também afirma que esse cuidado com a comunicação visual se torna um diferencial no momento da escolha. “Hoje em dia tem muita opção, então uma marca que se destaca visualmente e se comunica bem acaba chamando mais atenção e influenciando minha decisão de compra”, conclui.


Diante dessas experiências, empreendedores, profissionais do marketing e consumidores demonstram que o ambiente digital deixou de ser apenas um espaço complementar para se tornar parte essencial das estratégias de venda e comunicação. 


O empreendedorismo digital segue ganhando espaço como uma alternativa acessível e dinâmica para pequenos negócios que buscam se destacar no mercado. Seja por meio de fotos, vídeos, anúncios ou atendimento direto pelas plataformas, o que antes era apenas um espaço de convivência virtual hoje se consolida como uma das principais vitrines do comércio contemporâneo, conectando empreendedores e consumidores em uma realidade cada vez mais digital.

EXPEDIENTE:

Supervisão Editorial: Rostand Melo e Ada Guedes

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