• Maria Maisy

Davi Macedo: O sonho de uma esquadra digital


Foto: Pablo Porto

Nascido na cidade de Fortaleza (CE) e criado na cidade de interior Iguatu (CE), filho do meio de uma família com três irmãos, desde novo teve uma forma diferente de ver o mundo devido a sua dislexia, não diagnosticada até o ano de 2019. Ainda pequeno começou seu interesse em fazer animações, música e história, Davi Silva Macedo teve que se adaptar à sua própria maneira de trabalhar suas percepções e linhas de memorias para poder acompanhar os estudos.


Aos 15 anos voltou para a capital Fortaleza para fazer ensino médio e faculdade de História na UFC (Universidade Federal do Ceará). Atualmente, trabalha na formação do Projeto Esquadra, estúdio criativo de marketing digital. É uma empresa feita por um grupo de amigos e que pretende ir além da atividade profissional e também se tornar uma fundação, sempre com foco na criatividade, atuando na área de mídia e educação. Lá é um lugar colaborativo onde cada membro do grupo agrega em algo. O objetivo do projeto é trabalhar a comunicação nas suas mais diversas linhas.


Davi faz parte da primeira ideia da Esquadra que é o conhecimento universal, indo atrás de entender e compreender o básico de várias áreas dentro do parâmetro das áreas humanas na época da faculdade " A esquadra busca fazer com que os "barcos" estejam juntos para que cada "barco" realiza seus sonhos particulares e por consequência os sonhos coletivo", afirma.


O projeto começa ainda em sua infância, no ano de 2001. "Após uma conversa com minha tia Mariza ela falava que o sonho dela era se aposentar do banco para poder pegar a formatura de enfermagem e sair por aí atendendo as comunidades mais carentes, ela buscava muito a ideia de igualdade", conta.


Depois dessa conversa, ambos começaram a pensar em um ancoradouro onde pudessem abordar não só a parte de saúde, mas outras também. E se abastecer dos conhecimentos da humanidade e aplicar de maneira simples para gerar soluções a problemas. Esses diálogos perduraram por um mês, mas no ano de 2002 essa tia morreu devido a um tumor cerebral e Davi guarda, até hoje, tudo que foi conversado naquele período.


Foto: Fernando Fontinele

Projeto "ver pra crer": HQs e animação

Sua criação sempre foi cercada de pessoas com alguma linha capaz de ajudar o próximo. "Eu fui criado pela comunidade inteira daqui do Fomento (bairro de Iguatu) e eu sou disléxico, o que promove uma capacidade de reconhecer padrões com a ausência do funcionamento, motivadas pelos Glóbulos frontais laterais, faz com que eu reconheça esses padrões em níveis complexos sei que isso acontece pela prática na minha cabeça e foi assim que que eu comecei a achar as soluções para meus problemas", revela.


Foi apenas em 2019 que teve seu diagnóstico final de dislexia. Antes disso, ele teve que fazer sua própria forma de aprender. Na época da faculdade procurou estudar panoramas educacionais da comunicação partindo da matriz educacional cultural de sua família, relações interpessoais e a escola. Com isso estudou teorias da educação, participou ainda em sua faculdade de projetos sociais, um desses foi fornecido pela oficina de quadrinhos da UFC, a qual fez parte no ano de 2012, antes da formação da esquadra, a qual é feita por experiências de projetos como esses.


O projeto, realizado com parceria do Ministério da Educação e do Governo Federal da época, tinha como objetivo ensinar quadrinhos e direitos humanos, utilizando os métodos da educação e artes afim de ensinar a linguagem dos quadrinhos. a iniciativa visava ainda ensinar as crianças de 9 a 11 anos o básico em como fazer uma HQ ,e as regras da comunicação dos quadrinhos assim formulando exercícios que iam do processo de desenhar, criar um personagem, elaborar um roteiro e ia até a produção final onde, em conjunto, as crianças elaboraram uma historia em quadrinho juntas.


Todo o processo já tinha sido experimentado pela própria equipe que iria aplicar a atividade. "A gente não pode colocar como experimento os outros e ser arrogante e não passar por esse experimento antes, então todo o processo que eles passaram a equipe passou também", explica.


O projeto foi aplicado em três escolas diferentes do Ceará. Uma delas foi a escola Luiza Bezerra de Souza , escola essa que Davi Macedo estudou na sua na sua infância no Bairro Fomento. O projeto intitulado "Ver pra crer" foi muito bem aceito e a esquadra é derivada de projetos como esse ou relacionado a outros membros que fazem parte desse processo, como a animação "Curta CoCó Zela", exibida no Cine Ceará e produzida usando o método de pincelagem e animação em stop motion.


Começo da esquadra. Foto: Fernando Fontinele.

Música

Outra vertente forte de Davi é a música. Ao se mudar para Fortaleza, saindo da casa dos pais com apenas 15 anos, ele formou a primeira banda na escola. Uma veia artística se formou mais forte onde ele começou a escrever músicas e agora depois de anos está realizando o projeto de lançar o primeiro álbum. As músicas que integram o projeto tem muito de suas emoções e toda uma história pessoal por trás principalmente relacionado ao luto. Tendo finalmente suas musicas em produção é ver uma linha de sonho de sua vida se tornando realidade:


"É bem intenso o processo já que é um processo de vivencia como expressão de sentimentos tentativa de esclarecimento ou a maneira que eu lido com o processo (luto) que não é uma maneira só minha já que outras pessoas podem lidar com o processo da mesma maneira da empatia", revela.


Mesmo que as músicas do primeiro álbum tenham sido escritas em sua adolescência, apenas agora ,após da perda recente de seu irmão mais novo, elas tem tido um significado maior e entendimento pessoal mais profundo.


Foto: Bruna Camargo
Foto: Davi Macedo

FICHA TÉCNICA

Reportagem: Maisy Henrique

Monitoria e redes sociais: Manoel Cândido, Josineide Barbosa e Louise Viana

Supervisão editorial: Rostand Melo


*Retratos remotos:

O Coletivo F8 optou por produzir retratos no formato de “ensaios remotos” durante a pandemia como forma de manter a produção dos estudantes de fotojornalismo da UEPB, respeitando os protocolos de distanciamento social. Os retratos remotos são ensaios onde os fotógrafos dirigem a cena “à distância”, por meio do uso de celulares ou outros dispositivos conectados via internet. Cada ensaio apresenta o personagem retratado com uma reportagem perfil ou entrevista.


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