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Desigualdade social: um problema sistêmico e urgente

Atualizado: há 2 dias

REPORTAGEM: Agravada pela Pandemia do Coronavírus a desigualdade social se acentua no Brasil


Por: Gustavo Elias, Agenilson Barbosa,

Giovanni Philipe, Kennedy Lima


Desigualdade social é um mal que afeta todo o mundo, em especial os países que ainda encontram-se em vias de desenvolvimento. A desigualdade pode ser medida por faixas de renda, em que são consideradas as médias dos mais ricos em comparação às dos mais pobres. Também podem ser utilizados, como dados para o cálculo de desigualdade, o índice de Gini, fatores como o IDH, a escolarização, o acesso à cultura e o acesso a serviços básicos — como saúde, segurança, saneamento etc.


Foto: Gustavo Elias

O Brasil vive há décadas um alto índice de desigualdade social, que pode ser visto claramente em quase todas as cidades, desde as de pequeno porte até e principalmente nas grandes cidades, em que os conjuntos de favelas deixam aflorar essa triste realidade. A desigualdade social por aqui é um legado do período colonial, que se deve à influência ibérica, à escravidão e aos padrões de posses latifundiárias. Aspectos como racismo estrutural, discriminação de gênero e de raça, alta tributação de impostos e o desequilíbrio da estrutura social só agravam a desigualdade brasileira.


Foto: Gustavo Elias

COEFICIENTE DE GINI


O Coeficiente de Gini foi desenvolvido pelo demógrafo, estatístico e sociólogo italiano Corrado Gini (1884-1965) no ano de 1912.


O Coeficiente ou Índice de Gini mede as desigualdades de uma sociedade, por exemplo, de renda, de riqueza e de educação.


O rendimento médio mensal real domiciliar per capita em 2021 foi de R$ 1.353, o menor valor da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012. Com isso, a massa do rendimento mensal real domiciliar per capita caiu 6,2% ante 2020, chegando a R$ 287,7 bilhões em 2021, seu segundo menor valor, desde 2012 (R$ 279,9 bilhões).


Entre as regiões, o Nordeste segue com menor rendimento médio mensal domiciliar per capita (R$ 843).


A desigualdade cresceu para o conjunto da população e ficou praticamente estável para a população ocupada: o Índice de Gini do rendimento domiciliar per capita aumentou de 0,524 para 0,544, enquanto o Gini do rendimento de todos os trabalhos variou de 0,500 para 0,499.


Em 2021, o rendimento médio do 1% da população que ganha mais era 38,4 vezes maior que o rendimento médio dos 50% que ganham menos.


CAMPINA GRANDE

Foto: Agenilson Barbosa

Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Campina Grande tem, pelos números de 2021, pouco mais de 413 mil habitantes.


O índice de Gini em campina é de 0,45 – 58,88 da população é tida como pobre - o que coloca a cidade em um menor grau de desigualdade em relação ao país, mas esse fato por si não implica em uma realidade aceitável.



Foto: Giovanni Philipe


Não à toa, encontramos diariamente crianças e adolescentes em quase todos os sinais de trânsito da cidade. Muitos pedintes, adultos em idade produtiva, idosos e crianças, e até estrangeiros, refletem uma realidade perversa que assola o país há décadas, reflexo de uma desigualdade social que só aumentou durante a pandemia do Coronavírus.


Na visão do filósofo político John Rawls, por exemplo, as desigualdades econômicas podem levar a injustiças que favorecem pessoas ou empresas que detém privilégios. Com isso, o desequilíbrio da renda gera a distinção de classes, que pode ser observada com clareza na distribuição de riqueza entre os diversos municípios da federação, e em Campina Grande não é diferente.



Foto: Agenilson Barbosa

A má distribuição de renda, associada ao acesso à educação deficitário, péssima administração dos recursos públicos, políticas populistas, investimentos governamentais insuficientes e muitas vezes irrisórios e a não garantia de serviços básicos, tem contribuído para uma permanência do Brasil e de seus 5.570 municípios abaixo dos índices de desenvolvimento social.


Deste modo a população é afetada de várias maneiras, o que acaba por desestimular as pessoas a buscar melhores condições de vida, o que gera um ciclo vicioso de desemprego, desnutrição, violência, miséria, marginalização, mortalidade, etc.



AS CRIANÇAS SÃO AS MAIS AFETADAS COM TODA ESSA DESIGUALDADE SOCIAL


Foto: Gustavo Elias

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Foto: Kennedy Lima

A criança necessita de atenção dos pais, por mais pobre que seja a família. A maioria não consegue fornecer as necessidades de seus filhos. Com pouco estudo ou nenhum, a família não tem como evoluir de patamar social, as oportunidades se fecham, isso faz com que existam muitos meninos de rua assaltando, morando em lugares precários, sem direito algum a uma vida melhor, enquanto isso suas necessidades não são ouvidas pelos governantes ao reclamar da falta de recursos.


Por vezes, famílias nem reclamam por já estarem satisfeitas com o mínimo auxílio. O impacto intelectual é devastador. A forma adulta fica comprometida, não tem desenvolvimento físico e cognitivo adequados.


Muitos buscam no esporte a saída necessária para vencer a desigualdade, principalmente no futebol, são muitos os exemplos de superação, mas ainda assim, há muitos entraves sociais implícitos nessa busca.


Foto: Kennedy Lima

Entretanto, essa realidade precisa urgentemente ser alterada, e o controle das causas da desigualdade social permite que haja gastos sociais transparentes, educação de qualidade, salários justos e combate à discriminação, seja racial ou de gênero.

 

FICHA TÉCNICA

Fotografia e reportagem: Gustavo Elias, Agenilson Barbosa, Giovanni Philipe, Kennedy Lima

Monitoria: Ester Bezerra

Supervisão editorial: Rostand Melo


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