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A força de Regina: uma história de superação e resistência diante do câncer

coletivof8noite
há 8 horas
3 min de leitura

Foto: Karoline Rodrigues


O câncer de mama é o tipo de neoplasia mais comum entre as mulheres no Brasil. Em se tratando de causas de morte, fica em segundo lugar, após as neoplasias de pele não melanoma. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) as estimativas para o triênio 2023-2025 indicam um aumento de 10% nos novos casos em relação ao triênio anterior (2020-2022). O que significa 73.610 novos casos por ano.


Regina Silva, tem 64 anos e faz parte dessa estatística desde 2007. Sua história revela questões que perpassam a realidade de muitas mulheres que veem sua vida reconfigurada por um diagnóstico. Da incredulidade no início, passando pela falta de conhecimento, ao medo do tratamento e da morte, ela chega à fase da esperança na melhora e na continuidade de sua vida.


Foto: Derik Lima


Natural de Feira de Santana (BA), veio para Campina Grande (PB) assim que nasceu, onde foi criada e constituiu família e um lar. Com uma vida ativa, trabalhando como doméstica e mãe dedicada na criação de seis filhos, Regina conta como ocorreu sua descoberta: “Uma filha minha que tava estudando enfermagem na época, tava falando sobre câncer de mama, sobre caroço de mama, e eu tava assistindo televisão na hora. Aí eu disse: ‘pois eu tenho um caroço aqui’. Ela me chamou e pediu pra dar uma olhada no meu peito. Poxa, eu tava assistindo a novela, eu queria nem saber”.  Ela insistiu, pediu pra eu levantar o braço e disse: "Mainha a senhora tá com um caroço”.


Daquele dia em diante, ela se viu em uma rotina de exames e consultas até o dia da cirurgia. Ali começava sua luta pela vida. Em meio às dúvidas e incertezas que a falta de conhecimento sobre o assunto gerava, sua primeira reação foi a de negação.  “Apois eu tô com um caroço, mas é uma landra, porque eu dei muito de mamar a vocês. Minha filha perguntou onde era e eu disse que era nessa parte aqui, do lado direito (do peito)".


Foto: Karoline Rodrigues


Com uma das filhas cursando enfermagem, Regina tinha o apoio necessário que incluía o marido, a amiga e outros filhos. Mesmo assim, a luta é árdua e repleta de incertezas. Retirou a mama e deu início ao processo de quimioterapia. Regina se viu mudada, sem ânimo para o trabalho, algo que tanto a caracterizava como mulher batalhadora. Chegou a pesar apenas 40 kilos. Lutou, sofreu, sobreviveu. Mas após quatro anos, novamente recebe a notícia que ninguém quer receber: outro câncer. Desta vez no útero. 


“Quando eu tava em químio e radioterapia, outro câncer, em quatro anos que eu tava (com o primeiro câncer), faltava um ano pra finalizar o tratamento, quando eu descobri, em 2012, o segundo câncer. "Diga ao ginecologista dela com urgência, pra tirar tudo, tá com câncer", foi o que o doutor disse a minha filha e eu anestesiada só escutando."


Foto: Derik Nathan


O câncer de colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais comum entre mulheres no Brasil. A doença apresenta uma incidência de 15,38 por 100 mil mulheres, entre 2023-2025, apontando 7 mil mortes evitáveis, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).


Em meio a tanta dor e a instabilidade emocional que marcou esse momento, de perdas e novas descobertas de doenças, Regina foi forte, ela descreve um momento que foi marcante em sua trajetória diária contra a neoplasia, após não acreditar mais em sua cura.


"Teve um momento que eu pedi a Deus pra me tirar junto daquele problema que eu tava. Aí chegou uma criança, mesmo na hora que eu sabia que eu não ia mais voltar pra terra, eu senti que eu não ia voltar mais. Veio uma criança, pegou na minha mão com as duas mãozinhas, olhou pra mim, riu e me abraçou, quando essa criança me abraçou eu senti a presença de Deus, dizendo "tu vai vencer, eu tô aqui do teu lado, tu é uma guerreira, tu não vai agora não."

Foto: Fernando Corrêa


Atualmente, Regina faz parte da AEV (Associação Esperança e Vida), instituição que oferece apoio para pessoas com câncer. Hoje, além do apoio da família, encontrou neste espaço de apoio, forças para seguir em frente com o diagnóstico, o autocuidado e tudo o que cerca a realidade de quem vive em tratamento. Regina relata que após conhecer a associação sua vida começou a melhorar: “Hoje a associação esperança e vida é minha casa”. 


Ao apoio que recebe na AEV, soma-se o cuidado de sua família, o amor de suas filhas e sua força, uma força que vem da fé e da vontade de viver.


Confira mais imagens no slideshow:


Expediente

Supervisão editorial: Rostand Melo e Ada Guedes

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