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  • BIANCA DANTAS ALVES

A música salva: Sarah Hevelyn, uma vida transformada pela arte


Uma garota sentada em um banco tocando seu ukulele. Ao fundo, a cor azul e laranja se misturam.
Foto: Bianca Dantas

Sem direção, mergulhada em desespero, o caos tomou controle e ela gritou uma melodia caoticamente doce. Em pedaços, cruzou seu caos interno. Ela olhou para o céu azul escuro em um tom que ela nunca tinha visto antes e, inesperadamente, enxergou esperança. Murmurou músicas como preces porque precisava. Tudo era caótico, mas ela sentiu que tudo ficaria bem depois daquela tempestade. Ela era HEVELYN, mais conhecida como Sarah.


No dia 19 de março de 2003, em Campina Grande, na Paraíba, nasceu Sarah Hevelyn Santos Ferreira com a música correndo em suas veias como o oxigênio que necessita para continuar respirando, ‘‘Se tirar a música de mim, não sobra muito’’. Cresceu como artista e como pessoa ao som de divas pop como Katy Perry, Madonna e Britney Spears, cantando na igreja e, nas suas palavras, escrevendo música ruim.


Vivendo com a música, ouvindo e criando, Sarah foi virando mais HEVELYN. Inspirada por Taylor Swift, Lorde, Ashe, Miriam Nascimento e pelo artista da sua terra, João Manô, ela escrevia e fazia música cada vez mais. Representando tudo que sentia, era o caos interno dela, era ela em forma de som, da forma mais caótica, doce e visceral que a poesia pode ser.


Mas o ápice de todo o caos que habitava em Sarah ainda estava por vir. O ano era 2020 e ela estava indo viver seu sonho, fazer intercâmbio no exterior. Sonho que acabou isolado em lockdown por conta da pandemia que atingiu o mundo naquele ano de forma cruel e nefasta. Planos de conhecer pessoas e lugares diferentes, reduzidos a paredes de uma casa desconhecida em um país que não era o seu e longe da sua família. Sarah não estava vivendo seu sonho, ela estava dentro de um pesadelo.


Foto: Victor Manuel

Uma das amigas mais próximas, Ingrid, disse que acredita que a música representa um refugio pra ela, "Sarah não é alguém que costuma procurar amigos quando precisa de uma ajudinha a mais, então usa a música para expor o que sente de uma forma poética e sincera. A música é onde ela pode liberar esses sentimentos confusos que ficam guardados, ela se sente à vontade cantando. É como se estivesse em casa”.


“Colocar pra fora é necessário e se sentir fraco não é errado." - Em pedaços

E foi assim que veio a libertação para tudo aquilo. Dentro de si mesma, perdida em uma terra estrangeira, encontrou na música o seu lar. Parou de ignorar as emoções que estavam dentro dela, colocar tudo para fora nunca foi tão necessário, então escreveu e cantou. Foi assim, encarando de frente seu próprio caos, abraçando suas cicatrizes com carinho que HEVELYN começou a tomar forma.


No início, produzia sua arte apenas para si mesma, como uma forma de expor seus mais profundos sentimentos, mas, com o passar do tempo começou a sentir que as pessoas precisavam da sua música, precisavam do conforto que suas letras podiam oferecer. Nesse contexto, nasceu Hope, o single que deu o salto inicial para sua carreira musical.


Sarah produziu, gravou e editou suas músicas em casa com a ajuda de sua irmã mais nova, Talyta, o primeiro grande apoio durante o início de sua carreira. A opinião da irmã é fundamental para Sarah. "Se ela disser: não, Sarah, tá ruim, eu falo: aí meu Deus do céu, eu vou mudar".


No começo, Sarah “morria de medo” de lançar suas próprias canções por tratarem de assuntos tão íntimos, tinha receio do que pessoas próximas iam achar de suas composições. Mas a família apoiou sua relação com a música e a jovem cantora, afirmou que esse apoio familiar foi essencial.


Como temia, a indústria musical pode ser um universo cruel. Sendo uma iniciante no mundo da música, não tinha conhecimento legal em relação às plataformas digitais, ao lançar seu primeiro álbum, foi vítima de roubo de direitos autorais, “Nem todo mundo vai te ajudar, as pessoas estão sempre ali, prestes a te passar a perna". Quando soube, removeu as canções da internet e recomeçou outra vez. Agora, ciente de como agir, nada a podia parar.


Agora, um ano depois de ingressar no meio musical e conhecer bastante gente do ramo, sente que está rodeada de pessoas confiáveis. “Tenho contato com artistas daqui de Campina e nós compartilhamos as alegrias e as frustrações de ser artista no Brasil, tem sido muito gratificante essa troca que eu não tinha lá no começo e tem sido uma experiência muito legal”.


A irmã chegou a descrever que a música para Sarah como “um meio de comunicação, uma forma de colocar pra fora o que se sente de um jeito bonito, que junta pessoas que compartilham das mesmas experiências.” Saber que sua música pode ajudar a curar outras pessoas a deixa muito contente.



“Eu conheci uma família que estava passando por dificuldades”, afirmou Sarah. “Eles criaram um significado próprio com suas próprias experiências para Hope, que foi uma música que eu criei”. Por isso, o seu grande sonho é fazer um show para o público, se imaginar no palco com uma plateia que a admira e se identifica com suas canções é o desejo de qualquer artista, não seria diferente para HEVELYN.


“Não tenho pra que fugir, só tenho que viver o agora e não deixar minha vida se esvair.” - Viva agora (reprise)

Sarah define seu álbum CAOS INTERNO em três palavras: Solidão, aprendizado e solitude. “No começo eu me sentia muito sozinha, mas fui aprendendo a me dar bem comigo mesma e desfrutar até mesmo desses momentos de solidão”.


Confira mais imagens no slideshow:


O próximo álbum de Sarah já está em período de produção. Diferente do primeiro projeto musical que contava apenas com seu ukulele e voz, no sucessor do CAOS INTERNO, Sarah está rodeada de amigos que sabem tocar diversos instrumentos, o que facilita em fazer músicas diferentes, mais animadas, mas sem deixar de fora as músicas melancólicas. “É bem diferente a sonoridade, mas eu não posso sair tanto da minha zona de conforto", diz em meio a risadas.


Além do gosto pela música, Sarah está atualmente cursando a graduação em Letras - Inglês, pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Fascinada pela ideia de lecionar, pretende seguir a carreira como professora de língua inglesa quando se formar. “Eu nunca vou deixar de fazer música, mas no momento, me vejo seguindo a carreira acadêmica".


Sarah tem outros hobbies, como escrever histórias, “Eu tenho um monte de ideias de livros não concluídas", ela gosta de fotografia e até já pensou em trabalhar no ramo. É uma ávida leitora de suspense e terror psicológico, seus gêneros favoritos.


Os amigos e familiares descrevem Sarah como sincera, carismática, companheira, perfeccionista, chata, criativa, entre tantas outras características que são a imensidão do que Sarah Hevelyn é. Se permitido para desconhecidos adicionar mais coisas nesta lista: talentosa, corajosa e promissora. Porque para ser cantora, compositora, musicista e escritora é necessário coragem para mostrar sua arte ao mundo.


Ela nunca pensou que um dia se veria naquele estado, mergulhada em um mar tão profundo de dor e desespero. Mas respirou fundo e com esperança, pensou uma hora aquela tempestade chegaria ao fim e para isso, ela só tinha que dar um passo de cada vez e viver o agora e não deixar sua vida se esvair. Foi o que ela disse para finalizar a longa jornada por meio dos versos do seu caos interno, sua música favorita, no fim das contas.


Sozinha, ela teve que aprender a apreciar a sua própria companhia. Aquelas promessas esvaídas de que iria passar e ficar tudo bem, voltam à tona porque, no fundo, não são uma grande mentira. Depois de toda tempestade azul escura, tem um sol glorioso com feixes de luz intermitentes em amarelo e laranja, conheceremos outra versão de HEVELYN.


Foto: Victória Custódio

“Agora eu sei que você está aqui e que essa tempestade uma hora vai chegar ao fim.” - Viva agora (reprise)
 

FICHA TÉCNICA: Fotografia, reportagem e texto: Bianca Dantas, Victória Custódio e Victor Manuel

Supervisão editorial: Rostand Melo e Ada Guedes

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