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Harri Alves: quando a dança vira voz e ressignifica trajetórias

  • coletivof8noite
  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Nascido em Campina Grande, Paraíba, Harrison Alves transformou uma curiosidade infantil pela dança em uma carreira marcada por resistência, estratégia e impacto cultural. Sua formação começou nas danças urbanas, passou pelo rigor técnico do Ballet UEPB e se expandiu para o universo das danças comerciais, onde se especializou em Heels Dance e Jazz Funk ao lado de

alguns dos maiores nomes do país. Entre palcos, aulas e estudos, Harrison construiu uma identidade artística que mistura técnica, intensidade e narrativa, sempre guiada pelo desejo de provocar sensações e criar experiências visuais marcantes.


Em 2023, ele fundou o Projeto Cena, que em pouco tempo se tornou um dos principais espaços de formação e experimentação artística de Campina Grande. Com centenas de alunos e três espetáculos de grande público, o projeto devolve à cidade algo que há muito tempo parecia distante: a ocupação dos espaços, o acesso à arte e a valorização de artistas locais. Nesta entrevista, Harrison revisita sua trajetória, revela bastidores da criação e fala sobre o que significa resistir, sonhar e fazer arte em uma cidade onde, muitas vezes, isso exige coragem.


“Foi o meu primeiro espetáculo com o Projeto Cena, um espetáculo que nasceu de sonhos meus. A gente conseguiu lotar duas sessões, muita gente ficou de fora e foi ali que eu percebi que nós tínhamos algo diferente a oferecer.”

Nem sempre tudo é fácil, e para Harri em sua adolescência não foi diferente. Neste período da vida, Harri não tinha percepção convicta sobre sua sexualidade e teve que lidar com comentários sobre si quando nem ele se reconhecia como LGBTQIA+. Tal sensação foi proporcionalmente vivida de forma oposta na idade adulta quando se viu imerso no meio artístico, e percebido por sua conduta, profissionalismo e conhecimento: “ As pessoas não se importam com o que você gosta ou quem você é, mas sim o com seu profissionalismo.”


Desta forma, Harri acredita que desde o início da sua formação em 2009 até os dias atuais, as pautas desta causa já evoluíram muito, e não sente mais este bloqueio ou estranhamento das pessoas. A sua resiliência mais uma vez ganha destaque e mostra a sua força para conquistar tudo aquilo que um dia foi um objetivo distante e incerto. Seu amor por dar aula e pela dança, o mantém motivado e firme para dar seguimentos aos seus projetos.


Harri vê na docência uma das experiências mais enriquecedoras de sua jornada, um ofício que vai além da técnica e mergulha no emocional, ajudando cada aluno a encontrar sua própria expressão através do movimento. Mas ele também compreende o outro lado do processo: o de ser conduzido, exigido ao limite. Cita como experiência disso sua imersão com o coreógrafo “Marcelo Pereira”, de onde saiu exausto, com o corpo em chamas e o coração em estado puro de emoção.


Seus horizontes, no entanto, não se limitam à dança. Harri sonha em expandir sua atuação para a direção de arte, criação de roteiros, trilhas sonoras originais e colaborações com companhias de grande porte. Não se contenta com um único rótulo, prefere circular entre as muitas habilidades que acumulou ao longo dos anos. Seu desejo mais concreto é integrar uma equipe sólida, capaz de transformar suas ideias mais ousadas em realidade. Seu conselho para quem quer viver de dança é claro e direto:


“Se você quer seguir na dança, precisa estudar, consumir referências, experimentar. É isso que constrói a disciplina, só assistir um vídeo e reproduzir não é estudo. Estudo é entender por que aquela movimentação acontece, como o artista pensa, como constrói”

Apesar das conquistas, Harri segue se vendo como um aprendiz. “Aprendi muita coisa neste tempo, e ainda tenho muito a aprender. O principal é persistir em estudar.” E é com essa mistura de humildade e ambição que ele segue escrevendo sua história, um passo de cada vez,

sempre ao som da música que move seu corpo e sua vida.


Expediente

Entrevista: Luiza Ribeiro e Paulo Manoel

Produção: Maria Izabel Maia e Maria Luiza Afonso

Edição: Luiza Ribeiro

Monitoria: Letícia Falcão

Supervisão Editorial: Rostand Melo e Ada Guedes

2 comentários

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caio
há uma hora
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Muito bom o movimento, linda história de harri e reportagem muito boa!!

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Convidado:
há 3 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Ameiiiii

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