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Entre o ritmo e a história: Heverton Rafael, da Junina Mistura Gostosa

Heverton Rafael. Foto: Yure Gabriel

Envolvido com o movimento quadrilheiro há 16 anos, Heverton Rafael (31), é auxiliar administrativo atuante na área da pedagogia. Em busca de melhores condições de vida e com foco na perda de peso, Heverton encontrou na dança não apenas uma atividade física que o auxiliasse em uma boa condição física, mas também a paixão por uma tradição e seu principal hobby.


O primeiro grupo do qual fez parte tinha o nome de Junina Cambebas, do bairro das Malvinas, em Campina Grande. O grupo não existe mais, mas marcou sua história por ter sido a porta de entrada para a dança junina numa época em que o movimento era forte em Campina Grande e em outros estados do Brasil.


Em entrevista ao Coletivo F8, Heverton conta um pouco sobre sua história como quadrilheiro e amante desta tradição outrora tão forte e agora tão resistente diante de várias dificuldades.




A quanto tempo e como começou o seu trabalho com as quadrilhas estilizadas? Fale um pouco sobre como foi seu encontro com o Heverton quadrilheiro.

Já faz 16 anos que eu sou quadrilheiro e voltado para quadrilha estilizada, já são 13 anos. Me encontrei com esse universo em meio a algo relacionado a saúde, a questão da obesidade. Eu pesava 130 e aos 11 anos de idade eu encontrei na dança a oportunidade de expressar o meu trabalho e de emagrecer.


Qual a quadrilha mais lhe marcou e porquê?

Foi a Junina Cambebas, hoje não existe mais, antigamente nós tínhamos na cidade mais de 400 quadrilhas e hoje se resumem apenas a 10. Quando começou na minha trajetória na dança era o auge do movimento quadrilheiro, era muito efervescente a tradição das juninas.


Mesmo diante das dificuldades, parceria, organização, o que lhe motiva a cada vez mais está traçando o legado na cultura?

Existem várias questões, não o dinheiro, mas sim as amizades que conquistamos, famílias que se formam e as gerações futuras. O fruto disso posso citar histórias de pessoas de rua e ex-usuários de droga que conheceram, gostaram e ficaram com a dança transformando vidas.

Fora dos ensaios e do universo das quadrilhas, quem é Heverton Rafael?

Sou auxiliar administrativo, trabalho na educação, na parte de supervisão pedagógica, e sou solteiro, tenho 31 anos de idade, moro sozinho e meu hobby é a quadrilha junina, tudo que envolve o movimento quadrilheiro.


Como é o preparo antes de grandes apresentações?

Nós temos várias formas de se preparar, entrar nos arraiais, nas quadras e o que mais focamos, é primeiramente em orações onde podemos agradecer a Deus pelo o momento e em seguida toda concentração focada nas apresentações, no que foi projetado nos ensaios.




Como você lida com imprevistos que aparecem antes de eventos e apresentações?

A questão dos imprevistos que sempre acontecem, nós temos sempre uma ideia B, C, D, planejamos algo, mas acontece de ocorrer erros, então tentamos fazer esse planejamento, para que possamos contornar a situação. Naquele momento, temos uma equipe muito preparada para conseguirem contornar a situação.


Você tem alguma opinião sobre o fato de que as apresentações são divulgadas como cortes de suas histórias em não na totalidade da apresentação?

Geralmente é mais uma reclamação, porque alguns canais priorizam registrar nosso evento, em um canal particular, então não se tem o cuidado de preservar algo que nos garantiram, porque isso vai marcar pelo resto da vida e não mostra a totalidade da mensagem que passamos ali.

Quais são os eventos mais importantes no calendário quadrilheiro? Como são preparados e quais são os destaques desses eventos?

Um dos eventos mais importantes, principalmente para quadrilhas de Campina Grande, é o Festival Campinense de Quadrilhas, é o nosso primeiro pontapé, é onde iniciamos, onde vamos dançar e consequentemente nós temos a classificatória para o paraibano e assim por diante, nacional e nordestão, então tudo é classificação, por isso é um dos principais eventos que temos.


O que você achou do quadrilhódromo?

Nós sempre quisemos um espaço nosso e sair da pirâmide do Parque do Povo, mas que nos atendesse principalmente no que se refere ao espaço de dança. Ficamos felizes com o quadrilhódromo, porém insatisfeitos, porque a prefeitura da cidade nos deu esperança, do espaço para as quadrilhas, mas não convocou as quadrilhas para consulta, para diálogo sobre nossas necessidades, então erraram muito na questão de largura, comprimento e toda logística.


Como a dança de quadrilha está evoluindo ao longo do tempo? Existem novas tendências ou elementos sendo introduzidos na dança ou até mesmo nas encenações?

Sim, tínhamos como exemplo as escolas de samba, muitos brincam e dizem: “a quadrilha está igual escola de samba”, mas realmente é uma outra cultura, é um outro movimento que buscamos para nos espelhar. Através do SEBRAE, nós fomos para o Rio de Janeiro conhecer às escolas de samba, passamos uma semana, então absorvemos muitas experiências, adereço, enredo, cenografia, temática. Também buscamos inovações para sempre entrar na atualidade e agregar o que vivemos no momento socialmente.





Quais os principais desafios enfrentados na preservação da tradição da dança junina?

É justamente conseguir segurar o dançarino, perdemos um número significativo de quadrilhas pois as pessoas não conseguem continuar no movimento, por motivos de emprego, formação de uma família, tem outras prioridades, a quadrilha acaba sendo um hobby e muitas pessoas se afastam por isso, então é uma preocupação para quadrilheiros diretores.


Redes Sociais como canal de divulgação das apresentações de quadrilhas. Você acredita que ajuda na disseminação de informações, torna também mais fácil o contato de outras pessoas com essa cultura?

Ajuda muito, tem essa facilidade do canal, em ajudar na cultura divulgando, mas também auxilia na tomada de decisões. Um exemplo disso é que, às vezes, o órgão público demora a fazer repasse, como anualmente nós sempre recorremos, por rádio e blog, conseguimos bons resultados pela mídia, que acaba sendo muito útil para nos ajudar.


E o inverso? Acredita que cria um distanciamento fazendo com que os jovens de hoje, busquem participar bem menos, talvez pensando na opinião alheia?

Não acredito que não se distanciam por isso, ao contrário, eles gostam da mídia, de ser vistos, sabendo usar de forma positiva para colher algo positivo.

As quadrilhas juninas já tiveram grande espaço no São João e Campina Grande, uma tradição forte de nossa cultura, mas percebe-se o arrefecimento, a falta de incentivo e de espaço com as consecutivas mudanças do São João. Na sua opinião, qual o cenário das quadrilhas futuramente?

Temos pontos positivos e negativos, o movimento conseguiu continuar, independente dessas novas atualizações da musicalidade. No entanto, perdendo a atuação do forró que é o principal protagonista do festejo então perdemos a essência, o tradicional. Muitas pessoas perdem o gosto de sair de sua casa e ver uma atração tradicional. Está difícil de enxergar o valor do que é genuíno. Já fazem anos da existência de quadrilha junina mesmo tendo associação que trabalha em prol de sua manutenção, de sua permanência. Não temos uma notoriedade perante os órgãos públicos e as pessoas estão perdendo o interesse, portanto é muito difícil saber.


Confira mais imagens no slideshow:


 
EXPEDIENTE

Fotografia e reportagem: Eduarda Gomes, Vinicius Alves e Yure Fontineli

Supervisão editorial: Rostand Melo e Ada Guedes


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