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  • INGRID KAELY CRUZ FERREIRA

Luísa Mendonça: a sonhadora que fez do Rap instrumento de expressão


(Foto: Ingrid Kaely)

Luísa Nunes Mendonça de Lima (25) é brasileira, nordestina e paraibana da cidade de Campina Grande. Ela é poetisa, rapper, compositora e graduada em História pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), onde atualmente faz mestrado, seguindo a mesma linha de pesquisa da graduação, com o estudo sobre o Rap na Paraíba. A rapper traz consigo o nome artístico de MC Turmalina, pedra rara, bruta e preciosa, encontrada unicamente no estado da Paraíba. Uma metáfora para representar a força das mulheres e para exemplificar suas raízes, além de afirmar o seu orgulho por pertencer a este lugar.


O ritmo, a melodia e as batidas do Rap já contagiavam Luísa desde quando era criança. Influenciada pelo irmão, que ouvia muito funk carioca e Rap, foi na infância que ela teve os primeiros contatos com o gênero. Ainda que, na época, não compreendesse completamente a mensagem por trás das letras, Turmalina já carregava esse apego por letras críticas desde muito cedo.


Por ser um movimento que permite que os artistas deem visibilidade às minorias do corpo social, e por deixá-los mais livres para expressar suas ideias, o Rap rapidamente despertou o interesse de Turmalina ainda na adolescência. Estilo que mais tarde, aos 20 anos, quando deu início a sua carreira, viria se tornar o principal meio de exposição da sua arte e de denúncia às opressões e desigualdades da sociedade.


A família de Luísa, especialmente seu pai, sempre a incentivou nos trilhos da educação e foram importantes inspirações para que Luísa seguisse nesse caminho. Já no campo musical, tem, como principais influências artísticas os Racionais MC’s, Sabotage, Kawex e Sharilayne. A rapper ainda guarda com afeto artistas paraibanos que foram essenciais para seu crescimento e estabelecimento no ramo musical, como Bixarte, mulher trans, rapper e poetisa marginal de João Pessoa.

(Foto: Giovana Torres)

Educação e música: O Rap enquanto objeto de estudo


Luísa sempre teve em seu imaginário a ideia de juntar a música a algum outro elemento. Foi durante a graduação de história que decidiu não ser só professora, mas agregar os conhecimentos adquiridos nesta área ao seu interesse pelo rap como atividade artística e enquanto movimento político e social. Foi quando decidiu tornar o tema objeto de pesquisa para seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado: “O Rap como cultura de resistência na Paraíba a partir dos anos 2000”.


Atualmente, no mestrado, ela segue dando continuidade a esse estudo, mas agora trabalhando os primeiros grupos de Rap da Paraíba, tendo como alvo quatro cidades do estado: João Pessoa, Campina Grande, Patos e Cajazeiras. A historiadora buscou retratar a origem do Rap na região, possibilitando o conhecimento sobre a história e os principais nomes que compunham o movimento no estado, além de reafirmar a importância que seus antecessores tiveram para garantir espaço e visibilidade à essa nova geração de rappers.


Atuando como professora, inclui na didática das suas aulas de história, o Rap. Unindo música e educação através da interdisciplinaridade, percebe que o foco dos estudantes é maior do que com outras metodologias já utilizadas. O resultado é um maior aproveitamento no que diz respeito ao aprendizado dos discentes.



Idealização do projeto “TurmaLive”


Com o intuito de trazer mais visibilidade para outros artistas do ramo, em 2020, durante a pandemia do Covid-19 e com a febre das lives, Turmalina resolveu criar um projeto em seu Instagram intitulado “TurmaLive”. A compositora reúne entrevistas que ancoram desde o debate sobre temas sociais, a trajetória e história dos seus convidados.


Atualmente, além de colegas do meio musical, ela também traz professores para seu quadro, debatendo temas urgentes a fim de estimular a percepção crítica dos seus seguidores sobre o atual cenário político e socioeconômico. Somadas, são mais de cem lives desde o início do projeto.


(Foto: Camila Lívia)


Músicas autorais e carreira artística


"A luta não foi em vão, nem é por rivalidade
O Brasil é um dos países com a maior desigualdade
Não sou eu quem tô dizendo, se informe, pesquise e leia
Uma mulher é assassinada a cada uma hora e meia."

Trecho de “Nervos de aço” (2017), composição de Mc Turmalina.


Luísa iniciou sua carreira no Rap em 2016 e lançou suas primeiras músicas no ano seguinte, quando tinha apenas 20 anos de idade. Possui composições autorais como: “Nós por Nós”, “Nervos de Aço”, “Hino Racional”, “País Tropikaos”, dentre outras. Todas essas músicas carregam consigo letras fortes e que escancaram a realidade camuflada do nosso país, falando sobre mulheres, movimento feminista, movimento sulfragista, racismo, dentre outras temáticas que envolvem minorias.


Em 2022, Luísa realizou um dos seus desejos, gravar o EP intitulado “De repente, o Rap”. Divulgado pelo canal “Studio 189 records”, o trabalho apresenta uma mini biografia da artista. Ela inicia o EP se apresentando e apresentando os pais, com uma mãe escrevente e um pai professor, relata que cresceu cercada de livros e herdou duas características do pai: a paixão pelo time do Treze e a profissão de professor. Reafirmando a sua vontade de ser cantora e professora em todo decorrer do EP, ela expõe também a sua identificação com o Rap através do irmão. Se autodeclara proclamadora da arte marginal e apresenta suas produções realizadas até hoje.


(Foto: Maykon Santos)

Atualmente com 25 anos, Luísa segue educando, compondo, conscientizando através da sua voz e da educação. O que considera elemento chave para a transformação e mudança da sociedade. Conquistando cada vez mais o seu espaço, MC Turmalina vem sendo porta-voz para inspirar e empoderar mulheres e meninas a mostrarem seus talentos através da música e da arte. Sinônimo de força e resistência, a rapper continua escrevendo sua história e contribuindo para uma luta que não pode parar, a luta por equidade de oportunidades entre homens e mulheres.


Confira mais fotos a seguir:


 

FICHA TÉCNICA

Produção e fotografia: Camila Lívia, Giovana Torres, Ingrid Kaely e Maykon Santos

Texto: Camila Lívia e Ingrid Kaely

Convidada: Luísa Mendonça (Mc Turmalina)

Supervisão Editorial: Ada Guedes e Rostand Melo


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