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  • Namaria Caetano

Por trás das tranças de Luz Marques: Desafios e significados


Foto: Tamires Santos

Luiza Gabriely Marques do Nascimento ou apenas Luz Marques, como prefere ser chamada, é uma jovem recifense que com apenas 21 anos que encanta com seu trabalho de trançadeira.


Filha de pais esforçados, Luz começou a trançar ainda no ensino médio, dentro do colégio, que era de ensino integral. Inspirada pela prima, que também é especialista em tranças, a jovem começou a tomar gosto pela coisa. “Hoje é a minha profissão, é o que eu gosto de fazer e é o que me dá dinheiro atualmente”, afirmou ela.


Esses penteados carregam consigo um peso muito grande, pois além de resgatar autoestimas, também simbolizam e reforçam um movimento de resistência. As tranças de cultura africana já foram utilizadas como ferramenta de sobrevivência no período da escravidão.

Foto: Tamires Santos

Hoje em dia, o significado ainda é diretamente ligado à sobrevivência. Pessoas negras ainda precisam sobreviver e proteger-se do impacto causado pelo racismo estrutural na sociedade, que os cercam por todos os lados, todos os dias.


“Tem uma galera que não quer pagar porque desvaloriza. O povo na rua falando de cabelo crespo, do cabelo trançado, acontece todo dia, é rotina, é dia a dia”, contou a trançadeira.


As tranças interferem na aceitação, autoestima, segurança, identidade e estão diretamente ligadas à uma bagagem ancestral que perpetua até hoje.


"O trabalho que eu faço é também de levar informação a quem é exposto a algum tipo de violência, apoiando a valorização e a aceitação"

O trabalho de trançadeira ainda é bastante desvalorizado, mas Luz não mede esforços para fazer o que gosta e viver disso. Sonha em crescer cada dia mais com a sua profissão e abrir um espaço para que possa atender melhor os seus clientes. “A vida muda muito de rumo, o tempo todo, mas o que eu puder fazer para crescer, eu farei”, contou.

Por trás das tranças de Luz Marques, há raízes, resistência e memória de muita luta. Luta essa que avançou, mas está longe de acabar.



 

Ficha técnica

Texto: Tamires Santos

Produção: Ana Maria Caetano

Fotografia: Ana Maria Caetano, Marta Rodrigues, Maria Eloiza Santos, Tamires Santos

Supervisão: Rostand Melo




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