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  • LUCAS OLIVEIRA GUIMARAES

Pedro da Sorda: mais que empresário, um ícone do futebol paraibano

Atualizado: 20 de abr. de 2023


Pedro da Sorda - Foto: Lucas Oliveira

Pedro Ribeiro de Lima, ou simplesmente “Pedro da Sorda”, é um paraibano de Araruna, no agreste do estado. Nascido em 1948, mudou-se para Guarabira aos seis anos de idade junto com seu pai. Na cidade, iniciaram a produção de sequilhos e sordas, tipo de bolacha popular no nordeste feita com mel de rapadura e especiarias. Mal sabia o pequeno Pedro que aquilo faria parte de toda sua história. No ano de 1966, nova mudança. Dessa vez, sozinho, foi para Campina Grande com objetivo de concluir o colegial. Até tentou passar no vestibular, mas diz não ter conseguindo em função das condições da época.


“Eu não tinha o recurso suficiente para fazer uma boa formação de livros. Fazer tradução de livro em inglês. Era uma época diferente. Mas eu fiquei lutando, batalhando”.

No ano de 1972, após ser reprovado por seis vezes, conversou com o pai sobre o destino e decidiu morar no Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida. Por lá, muita dificuldade, mas um trabalho como manobrista em Copacabana o fez ter certa estabilidade.

“Consegui fazer um pé-de-meia com as gorjetas que eu ganhava”.


Voltou para a Paraíba em 1977, após a morte do pai. Decidiu ficar no estado pra cuidar da irmã e nesse mesmo ano conheceu a mulher que se tornaria sua esposa, com quem é casado até os dias atuais. Acabou seguindo o ramo do pai e fundou a “Sordas Perilima” com ajuda dos familiares. O nome fantasia da empresa é uma junção da primeira sílaba do nome, sobrenome e último sobrenome por completo. Tanta criatividade não poderia ter um resultado diferente, a empresa é sucesso até os dias atuais.



A paixão por futebol vinha desde pequeno e a vontade de formar um clube aflorou no empresário com o crescimento de seu negócio. No início, a “Associação Desportiva Perilima” disputava campeonatos amadores e era totalmente formada pelos funcionários da empresa de sordas. Inclusive, alguns deles eram contratados para a empresa após bom desempenho dentro das quatro linhas.


Porém, a coisa foi ficando mais séria em 1993, quando a equipe foi registrada na Liga Campinense de Futebol. Em Abril de 1997, recebeu através da Federação Paraibana de Futebol (FPF) o registro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como equipe profissional. Poderiam ter iniciado na primeira divisão já no ano seguinte, mas, segundo Seu Pedro, houve um “complô” de empresários na época que impediu o feito. Mas isso não atrapalhou a equipe que, em 1999, pôde disputar a primeira divisão do Campeonato Paraibano.


Pedro Ribeiro passou a ser um ícone do futebol brasileiro ao disputar profissionalmente seu primeiro campeonato aos 51 anos de idade. Por ser o dono, era sempre titular da equipe, mas fala disso com um tom de humor:


“Vontade de ser jogador eu tinha desde pequeno, mas sabia que não tinha habilidade suficiente. Como eu era dirigente eu que mandava, né, e ia para o jogo quando não era um time tão forte e as vezes os jogadores faltavam, tomavam até uma cana e deixavam o time ‘na mau’”.

Aos 74 anos, Seu Pedro ainda mostra habilidade com a bola - Foto: Lucas Oliveira

O desempenho dentro das quatro linhas não era dos melhores. No primeiro ano disputando a primeira divisão, foi rebaixado com apenas oito pontos ganhos. Voltou a elite em 2005, mas novamente caiu de série. Mais uma vez, retornou em 2007 para o certame, caindo no mesmo ano. Apesar disso, a Perilima sempre contou com a simpatia de todos os torcedores paraibanos.


Mas a história ainda reservaria para Pedro um capítulo mais marcante. Aos 58 anos de idade, o jogador marcou o seu primeiro e único gol como profissional de futebol, na partida contra o Campinense pelo Campeonato Paraibano de 2007 . “Isso me deu muita luz de vida, me fez querer viver mais, pois eu já estava muito batalhado, muito sofrido, mas esse gol fez que eu sentisse prazer de lutar pela vida”.


A última vez que Pedro desfilou nos gramados profissionalmente foi na segunda divisão de 2014. Dois anos depois, acabou vendendo a Perilima por pressão da família que tinha medo dos gastos feitos com o futebol. A decisão forçou o jogador a parar de jogar pela Águia de Campina. O atual presidente do clube não permite a entrada do maior ídolo da equipe em campo.


“Desde que vendi, eu pensei que eu ia continuar na onda de jogador, mas ele me sacou, fiquei só a ver navios, querendo jogar, mas o time não era mais meu e eu não tinha o poder de decisão. Ele tinha a intenção de fazer um time muito forte, mas ainda não engajou”.

Camisa e antigo símbolo da Perilima. O uniforme foi usado em 2014 na última aparição profissional de Pedro - Foto: Lucas Oliveira.

No auge de seus 74 anos de idade, Pedro conta que ainda sonha em voltar ao meio do futebol como jogador e vestir a camisa da antiga Associação Desportiva Perilima, ainda que dependa exclusivamente da sua fé.


“Ainda estou lutando, estou sonhando em ganhar a loteria pois se tivesse a possibilidade, com a experiência que já tive, compraria a equipe de novo e em cinco anos fazia um time bom e até mesmo eu jogar, porque o dono pode. Aí eu ia sonhar, ‘fazer uma realização de sonho'".

Confira mais fotos no slideshow:

 

FICHA TÉCNICA:

Fotografia, Reportagem e Texto: Lucas Oliveira

Edição de imagem e texto: Ruth Emanuelly

Monitoria: Ester Bezerra

Supervisão Editorial: Rostand Melo

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