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Entre o sonho e a realidade: Rafael Costa e sua vida no jornalismo esportivo

  • Foto do escritor: Coletivo F8
    Coletivo F8
  • há 6 horas
  • 9 min de leitura
Foto: Zeno Diniz
Foto: Zeno Diniz

Nascido e criado na Zona Leste de Campina Grande, no bairro José Pinheiro, Rafael Costa

sempre foi um daqueles apaixonados por esportes. O menino que jogava descalço na rua,

sempre gostou do futebol, e foi um daqueles sonhadores, desejando dividir patamares com

os imortais do esporte. Após anos praticando futebol, transitou por outras modalidades,

como o vôlei e o basquete, mas o handebol tornou-se sua maior paixão. Chegou a ganhar

competições como a Taça Campina de Handebol, mas foi no jornalismo esportivo que ele se

encontrou e hoje segue marcando pontos em uma trajetória traçada pelo amor ao esporte e

orgulho de sua caminhada.


Formado em jornalismo pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Rafael levou para a

sala de aula, sua identificação com o esporte. Trabalhando com locução, cobertura de

jogos, fotografia esportiva e como comentarista para a TV, ainda na graduação, acabou aferindo à sua jornada acadêmica a marca do jornalismo especializado em esportes. Nesta entrevista

ele compartilha suas histórias, experiências e perspectivas futuras. Acompanhe os

principais trechos:


Foto: Felipe Henrique
Foto: Felipe Henrique

Rafael, conta de forma sucinta sobre sua vida, onde nasceu e quando?


Então, eu nasci dia 22 de abril de 1992, na Zona Leste de Campina Grande, no bairro do

José Pinheiro. Morei lá no José Pinheiro por 20 e poucos anos, depois fui para o Monte

Castelo, que também é um berço da Zona Leste, então, eu sou nascido e criado na Zona

Leste de Campina Grande.


Você é jornalista, formado pela Universidade Estadual da Paraíba. Porque esse

curso? Como foi essa escolha?


Foi em 2015, eu já cursava estatística na época, mas ainda não era o curso que eu queria. Eu

gostava de assistir os programas do Multishow, transmissão de festivais, jogos de futebol.

Também gostava muito de contar histórias, eu fui percebendo que talvez fazer jornalismo seria

algo legal para mim. Primeiro eu pesquisei sobre o curso de Arte e Mídia da UFCG, mas vi que não era algo que eu queria, acabei vendo o curso de Jornalismo e decidi trancar a faculdade de

estatística para fazer Jornalismo. Eu também já alimentava um blog que falava sobre handebol

porque eu sentia falta de algumas modalidades esportivas no meio jornalístico, então eu acabei

criando um blog para falar sobre handebol, que era a modalidade que eu praticava. Ali percebi

que cursando jornalismo, eu ia conseguir dar vez e voz para esses atletas e para essas

modalidades que eram pouco vistas na imprensa de um modo geral.


Foto: Zeno Diniz
Foto: Zeno Diniz

Praticante de esportes, você viu esse viés com o jornalismo, o que influenciou na sua

escolha pelo curso, mas, quando começou já pensava em trabalhar na área esportiva?


Já, desde o início eu sempre quis trabalhar com esporte, eu achava muito bacana, inclusive, uma

das minhas referências, o Artur Lira, que também cursou Jornalismo aqui na UEPB, e

trabalhava na assessoria do Treze, então eu o via indo para os jogos, fazendo matérias sobre

futebol, e eu achava muito bacana. Aquilo acabou também me motivando. Comecei a enxergar

o jornalismo de outra forma. Desde quando eu pisei aqui na universidade, quase todas as

pautas de trabalho da faculdade que eu fazia, era algo voltado para o esporte. Quando eu

estudava estatística, fiz trabalhos voltados para a estatística esportiva, em um deles, apresentei

falando sobre como o Corinthians foi campeão mundial usando a estatística no futebol.


Durante a graduação você já trabalhava na área de cobertura, em sites, em blogs, em rádios. Fale um pouco sobre os lugares e meios nos quais atuou na graduação e como essa experiência te ajudou no profissional que você é hoje.


Minha primeira oportunidade com o jornalismo, de fato, exercendo a função mesmo, foi em uma

rádio web chamada “Rede Primeiro Minuto”, do Luiz Carlos Roque. Ele me deu essa oportunidade

de fazer a transmissão de jogos do Paraibano. Foi minha primeira oportunidade de fato, o

primeiro contato que eu tive com jogadores, com a comissão técnica e tudo mais. Depois,

no meu segundo ano de faculdade, veio o convite para trabalhar na Rádio Caturité, que é uma

das mais antigas aqui da cidade, juntamente com o Rostand Lucena, que é uma das principais vozes narrativas da região Nordeste. Então eu tive essa oportunidade de trabalhar com pessoas que eu costumava ouvir durante a minha adolescência. Tive contato com outros profissionais, como Preto Rocha, Romildo Nascimento, (Edson) Maia que também narra jogos. Depois veio o convite para fazer a transmissão da Copa do Nordeste para a televisão, ou seja, da rádio fui para a TV. A Nosso Futebol era um canal de esporte que estava começando e acabou me contratando para fazer esses jogos da Copa do Nordeste. Depois comecei a escrever para sites, para a rede Primeiro Minuto, que tinha um portal e acabei fazendo algumas matérias para de futebol, de basquete e de outras modalidades para eles. Em 2022, ainda como graduando, eu quis tomar outro rumo na minha profissão, acabei indo para o lado da fotografia, então comecei a virar fotojornalista e fazer fotos de jogos para vender para atleta e também ceder essas imagens para alguns portais da cidade como o GE, e foi onde de fato eu me encontrei, foi na fotografia esportiva, exercendo a função também de repórter, porque ao mesmo tempo que eu fotografava o jogo em si, eu também fazia a matéria e a reportagem.


Confira mais imagens no slide show:


Ainda como graduando, você também conquistou o prêmio Mostra Tropeiros, do

Comunicurtas, certo? Como foi a sensação? Foi um incentivo para seguir na carreira de

jornalista?


Sim e foi algo que eu almejei muito. Quando eu descobri que tinha um festival de cinemas aqui da cidade, e eu vi alguns colegas de períodos à frente, ganhando esse prêmio, eu pensei, eu

também quero um e aí eu batalhei muito. No primeiro ano eu fiz uma reportagem, acabou não

sendo selecionada. No outro ano eu fiz um mini curta, também não foi selecionado. Até que na

minha terceira tentativa, eu fiz uma reportagem sobre rapel, a matéria foi selecionada e chegou

até a final, não ganhei pelo voto do júri, ganhei pelo voto popular. Foi uma votação muito

acirrada. Fiquei muito feliz porque eu tinha colocado na minha cabeça que eu só sairia do curso

depois que eu conquistasse o troféu do Comunicurtas, porque pra mim, é um dos principais

festivais da região Nordeste. Eu teria que ter aquilo nas minhas mãos.


Desde que você entrou na graduação, e durante todo o seu percurso, você sempre manteve a

coerência de focar no jornalismo esportivo ou em algum momento se sentiu atraído por

alguma outra área da comunicação?


Por livro-reportagem, eu confesso que eu fiquei um pouco atraído desde que eu tive a primeira

aula com a professora Ada Guedes, quando ela falou sobre livro-reportagem. A gente tentou em

um dos períodos escrever um livro, acabou não dando certo e eu botei na minha cabeça que

realmente eu queria terminar o curso escrevendo um livro. Então, foi um outro caminho do

jornalismo que eu também acabei gostando. E também teve o jornalismo cultural, eu sempre

gostei dessa área do entretenimento, das transmissões de festivais como Rock in Rio, o próprio

Lollapalooza. Então eu sempre quis trabalhar nessa área que envolvesse artistas, filmes,

músicas. Então, depois do esporte, eu acabei seguindo para essas áreas culturais, inclusive

montando um projeto chamado “Tropeiros Cultural”, no qual eu entrevistava artistas aqui da

cidade e alguns artistas que vinham fazer show aqui, como a Roberta Campos, a banda de rock

chamada “Selvagens à Procura da Lei”, entre outros.


Você é autor de um livro sobre uma ex-atleta campinense, o livro “Pretinha: Memórias da

Corredora de Rua Ednalva Laureano" Como surgiu essa ideia? E além disso, você tem

algum projeto de algum livro para o futuro?


Então, o livro surgiu justamente através de uma aula de Ada, quando ela indicou um livro da

Fernanda Brum, “A Vida Que Ninguém Vê"; e quando eu li, fiquei encantado pelo texto e pela

poesia que a Eliane Brum colocava nas reportagens dela. Quando veio a época do TCC e tivemos

que montar o projeto da conclusão do curso, eu falei para a professora que eu iria escrever um

livro sozinho. Ela ficou um pouco assustada, porque um produto midiático como um

documentário ou livro, geralmente é feito em grupos porque demanda um trabalho gigantesco. Eu quis me desafiar fazendo esse livro sozinho, todo o processo de entrevista, de captação de

áudio, de pesquisa, tudo sem a ajuda de quase ninguém. Uma coisa ou outra que eu pesquisava,

alguém me ajudava, me indicando os caminhos, mas tudo mesmo foi feito por mim. E sobre

fazer livros futuros já me perguntaram muito sobre isso eu quero fazer sim outro livro

futuramente, mas eu ainda não sei exatamente o que, eu ainda não me sinto preparado para isso. Acho que o livro que eu fiz de Pretinha foi de um momento da minha vida que realmente precisava ser feito, mas agora eu sinto que ainda não estou preparado. Até tenho ideias de alguns personagens, inclusive aqui da cidade, mas não para este momento.


Após se fromar em jornalismo, como você foi construindo sua carreira? O que você faz

hoje? Se sente realizado no que faz?


A construção da minha carreira foi marcada por muitas dificuldades, porque o jornalismo nunca

foi minha primeira opção de trabalho, eu exerço uma outra função, eu sou analista pleno em uma empresa multinacional aqui de Campina Grande. Sempre tive que lidar com essa dualidade,

trabalhar à noite, estudar de manhã e à tarde, e às vezes, quando sobrava tempo, fazer uma

reportagem, cobrir um jogo ou outro. E foi assim durante a graduação, eu sempre tive que passar por esse processo, dormir pouco e tudo mais. Mas assim, faz 10 anos que estou exercendo a função de jornalista e quando paro para pensar em tudo que eu fiz, eu realmente vejo que estou realizado. Ainda não é algo que me faz ficar tranquilo, eu quero ainda mais além do que isso, então eu me sinto realizado por tudo que eu fiz, principalmente pelo lançamento do livro.



Mas assim, depois que terminou a graduação, quais foram os caminhos que você percorreu,

e hoje você faz o que exatamente?


Bom, depois que eu terminei a graduação, eu comecei a exercer a função de fotógrafo esportivo,

né, eu deixei um pouco de lado a questão da rádio e de TV, e comecei a fazer fotografia. E

também tive que me adaptar, porque eu deixei de ser repórter esportivo e comecei a ser

comentarista esportivo. Então eu comecei a ser convidado para participar de alguns programas,

principalmente na Rede ITA, com o ITA Futebol Clube. Então ali eu comecei a exercer a função de

comentarista. E logo depois eu fui convidado pela Panorâmica, pelo jornalista Gustavo Rovaris, E

ele me convidou para participar do programa, do debate esportivo, que vai lá toda segunda-feira.

Então eu comecei a exercer a função de comentarista e não mais de repórter. Então eu fui me

adaptando. Então hoje eu trabalho como comentarista esportivo e também continuo

trabalhando como fotógrafo. Depois que eu me formei, eu deixei de lado um pouco a questão da

reportagem e comecei a ser comentarista esportivo.


E quais são suas pretensões futuras? Você ainda acha que estará presente nesse

cenário?


Sim, tem muita coisa ainda para conquistar, tive algumas realizações que realmente me fizeram

feliz, mas ainda tenho muito para conquistar, ainda almejo lançar um outro livro futuramente,

quem sabe voltar novamente a estar na TV como repórter ou apresentador. Acho que são duas

coisas que eu ainda quero realizar aí na minha carreira e continuar fazendo o que eu gosto, que é a fotografia e debater sobre esporte.


Qual conselho você daria para estudantes, que assim como você, se identificam com a

área esportiva? Há espaço no cenário paraibano?


Sim, há muito espaço, inclusive o conselho que eu dou é que sigam atrás desse espaço. Existe

muita coisa a ser divulgada aqui na cidade e acho que é importante não olhar apenas para o

futebol. Existem outras modalidades aqui que carecem dessa atenção e que podem fazer com

que você, enquanto estudante, amadureça, para quando chegar uma oportunidade de estar à

frente de uma TV ou de um rádio, você esteja preparado, que foi algo que eu fiz. O que eu digo

para os estudantes é: não esperem a oportunidade vir, façam a oportunidade. Criem blogs, hoje

em dia tem uma grande facilidade, criem perfis em redes sociais e comecem a falar daquilo que

vocês gostam, e se dediquem. E outra, não façam esperando ter grande visibilidade, façam

porque o reconhecimento e a visibilidade vão vir com o tempo.


Confira mais imagens no slide show:


Para finalizar, teve um Rafael criança, você acha que hoje, quando você vê tudo que faz,

você acha que o Rafael pequenininho, estaria sorrindo pra tudo que você fez?


É uma pergunta muito difícil de responder. Eu acredito que o Rafael criança se sente orgulhoso

de tudo que eu venho fazendo, porque quando eu era criança, eu lembro de pessoas falarem pra

minha mãe que ela iria derramar lágrimas de sangue porque eu iria me tornar um marginal ou

coisa do tipo. Porque sempre fui uma criança levada, que brincava na rua com pés descalços,

não ligava muito com isso. E ouvi de pessoas, vizinhos nossos, falarem que eu ia dar desgosto à

minha mãe. E uma das maiores alegrias que eu dei à minha mãe foi justamente no dia que eu

lancei o livro e ela estava lá presente, se emocionou e viu que o filho dela tinha conquistado o

sonho dele. Então, sim, o Rafael criança, sente orgulho do Rafael de hoje e vice-versa. Eu

também sou muito orgulhoso da criança que eu fui, não mudaria nada do que eu vivi, porque

tudo que eu fiz quando criança serviu para que hoje eu pudesse estar aqui e ter feito tudo o que

eu fiz durante a faculdade e durante os trabalhos. Sempre tive humildade, sempre ajudei o

próximo e tentei ao máximo ser luz na vida dos outros. O garoto que eu fui lá atras, me fez assim. Porque o que mais tem hoje em dia é gente querendo apagar a tua luz. Acho que a partir do momento que você consegue iluminar outras pessoas, você também acaba se iluminando.

Então, acho que o Rafael criança sente muito orgulho do adulto e o adulto sente muito orgulho

do Rafael criança.


EXPEDIENTE

Reportagem: Zeno Diniz

Produção: Felipe Henrique

Supervisão Editorial: Ada Guedes e Rostand Melo

Agradecimento: Clube Campestre

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