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Um educador que transforma: O trabalho de Linaldo Oliveira

  • coletivof8noite
  • 16 de jun.
  • 12 min de leitura

Professor LInaldo Oliveira
Professor Linaldo Oliveira e os mentores do Projeto de Iniciação Cientifica Ciência na Veia. Foto: Laís França


Linaldo Oliveira, 30 anos, é natural de Mogeiro (PB) e atua como professor de Ciências Biológicas em turmas de 9º ano no município. Iniciou sua carreira docente na mesma instituição onde foi aluno, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Iraci Rodrigues de Farias Melo. Hoje, destaque pelo modelo de ensino que desenvolve, Linaldo é também fundador do Programa de Iniciação Científica Ciência na Veia, iniciativa voltada à promoção da pesquisa científica e do protagonismo estudantil na educação básica.


Adepto das Metodologias Ativas em sala de aula e do protagonismo estudantil no processo de aprendizagem, o professor tem acumulado prêmios na área da Educação por suas ações inovadoras e tem feito a diferença na vida dos estudantes que passam por seus projetos. Nesta entrevista, ele conta um pouco de sua trajetória e expõe sua visão de mundo sobre educação, superação, sustentabilidade e desenvolvimento humano.


Quem é Linaldo Oliveira?


Tenho 30 anos, sou professor de Ciências Naturais da Escola Iraci Rodrigues. Tenho licenciatura e bacharelado em Ciências Biológicas e sou mestre em Ecologia e Conservação. Toda minha formação acadêmica foi na UEPB. Eu sou tetracampeão do Prêmio Educador Nota 10 do Instituto Alpargatas. Fui eleito um dos cinco professores mais criativos do país pelo Prêmio Perestroika. Sou menção honrosa do Prêmio Professor do Ano e fui um dos vencedores e o Educador do Ano, da 24ª edição do Prêmio Educador Nota 10, que é conhecido como o Óscar da Educação Básica Brasileira. Na minha época, o prêmio era ofertado pela Fundação Victor Civita e hoje ele é desenvolvido pela Somos Educação.


Professor Linaldo Oliveira
Professor Linaldo Oliveira Foto: Gerson Bruno

Qual é a sensação de se ver hoje reconhecido?


É maluco, porque a minha vida profissional deu uma volta de 360 graus. Fui aluno dessa escola, a primeira turma fundante foi a minha. Hoje trabalho com professores que foram meus professores.

Quando os prêmios começaram a chegar, pequenas mudanças foram acontecendo, mas uma grande virada de chave vem em 2021, 2022, quando eu ganho o Educador Nota 10 e o Educador do Ano. Eu tinha 25, 26 anos na época, e eu não sabia muito bem como é que tudo estava acontecendo naquele instante. Estava super feliz pelo meu trabalho ter chegado ao patamar de reconhecimento que chegou. O reconhecimento abriu muitas portas profissionais, inclusive o Ciência na Veia, que veio desse processo, no trabalho com as metodologias ativas. Foi uma grande oportunidade e uma causa que levou à abertura de diversas parcerias como, por exemplo, com o Instituto Alpargatas, que já tinha um trabalho de mais de 14 anos dentro do município e estava chegando na época com o Laboratório LISE. Somos a primeira cidade em que o LISE - Laboratório de Inovação e Sustentabilidade Educacional foi implantado. E com essa chegada, somada ao grande sucesso da época, nós conseguimos dar uma otimizada no processo de ensino e aprendizagem da escola, trazendo elementos como o STEAM e a ABP, para estimular o protagonismo e o letramento científico.


Foram muitos prêmios, mas qual a sensação de receber e qual o prêmio mais lhe marcou?

O prêmio que mais me marcou foi o Educador Nota 10, da Victor Civita, o Educador do Ano, porque, dentre os meus concorrentes, eu era um fedelho. Estava chegando aos 10 melhores do país com pessoas que tinham 30 anos de sala de aula e eu não tinha isso nem de vida.

A visibilidade e oportunidade de otimizar o trabalho com os meus alunos na escola fez desse prêmio o que mais marcou a minha carreira. Existe uma grande diferença entre o Linaldo professor antes do Victor Civita e pós Victor Civita. Ainda mais porque foi resultado de um projeto desenvolvido na pandemia. Como todo professor, estava ali na luta para manter o ensino de qualidade, trazer os alunos para estudar quando a gente já não tinha mais aquela presença deles na sala de aula, superar esse processo e desenvolver junto um trabalho que era significativo foi o que marcou esse prêmio na minha carreira, pela significância que ele trouxe para mim e para os meus alunos.


Foto: Kércia Veloso
Foto: Kércia Veloso

Como surgiu seu interesse pela área da licenciatura? Você disse que era estudante daqui. Você sempre teve esse interesse todo, principalmente pela área de Biológicas?


De Biológicas, sim. Quando entrei na Biologia, eu queria ser o biólogo tipo Richard Rasmussen, eu não pensava em sala de aula. A primeira vez que entrei como professor, eu tinha 15 anos de idade e foi para dar aula de música. Mas aí eu me envolvi em alguns projetos na época do bacharelado, eu trabalhava com biologia marinha e tinha sempre a parte de etno, então eu tive esse contato na sala de aula por um tempo. Foi quando comecei a me apaixonar um pouco pela área da educação, no finalzinho de 2018, quando me formei pela primeira vez, fiz seleção para o mestrado e não passei, então fui para a sala de aula. Em 2019 passei no mestrado e em 2020, Mogeiro fez uma semana pedagógica com uma palestrante que tinha um currículo invejável. Essa senhora pegou o microfone, desceu para a plateia e aí ela fez uma única pergunta: “Eu trabalho com vidas. Você sabe quem eu sou?” Para uma plateia de professores aquilo era extremamente óbvio, ela era professora. Foi naquele momento que uma chave virou na minha cabeça e eu disse: “é isso que eu quero fazer, eu quero trabalhar com vidas através da educação.” Nessa época eu tinha ganhado pela primeira vez o prêmio do Instituto Alpargatas, já tinha desenvolvido a Feira de Ciências, já estava pré-apaixonado pela educação, mas esse momento virou a chave, me fez descobrir que era isso que eu queria fazer pelo resto da minha vida. Gerar transformação, ver os alunos evoluírem, tudo isso é extremamente significativo.


Recentemente, o CNV foi destaque pelo Itaú Social por conta da abordagem STEAM. O que te levou a implantar essa abordagem quando ainda era algo novo aqui e ainda na escola pública?


Cara, todo professor já foi aluno, então todo professor hoje dá os conselhos que um dia ignorou na sala de aula. O senso crítico do aluno de querer entender por que ele tem que passar quatro horas ouvindo sempre foi uma questão a ser tratada. Então, foi no meio dos estudos, tentando otimizar e trazer significado para a prática que eu fazia em sala de aula, que descobri a metodologia STEAM, um método americano que usa ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática. Só que é muito mais ligado ao currículo escolar, por isso ele se torna uma abordagem diferente da aprendizagem maker, que foca no processo. O STEAM tinha uma chave que era trazer a realidade da comunidade para dentro da sala de aula, para fazer essa conexão de significância com os alunos e estimular a ciência e a tecnologia, explorando habilidades que o aluno já possuía, mas que muitas vezes a estrutura de sala de aula normal não permitia que ele exercesse. Os livros muitas vezes eram desconexos da realidade do aluno e isso não gerava o que hoje a BNCC tenta por todos os modos escrever, que é o engajamento, ou seja, o gosto do aluno por aprender e investigar. Então, foi para desenvolver letramento científico de uma forma que fosse mais significativa para o meu aluno e para trazer esse universo de tecnologia para dentro da sala de aula que eu acabei trazendo a metodologia STEAM.


Foto: Kércia Veloso
Foto: Kércia Veloso

Sobre o Ciência na Veia, a gente quer saber um pouco sobre como surgiu, o funcionamento e o fomento desse projeto.


O Ciência na Veia foi um efeito colateral benéfico de quando instalamos a metodologia STEAM em 2022, quando tivemos 180 alunos que desenvolveram 22 projetos. O LISE, o Laboratório da Escola, parceiro do Projeto Instituto Alpargatas com a Secretaria da Educação, já estava instalado. Vimos uma oportunidade de pensar em uma estrutura de iniciação científica que só achávamos no ensino superior. Isso começou a formar uma rede de apoio dentro da escola, foi enlouquecedor dar conta de 22 projetos diferentes que serviam para 22 coisas específicas. O crescimento foi rápido e a estrutura que tínhamos na época não acompanhou. Então, no final do ano, tive uma conversa com a gestão, a Secretaria de Educação e o Instituto Alpargatas, apresentei a ideia e foi aprovada, porque viram o impacto. No ano seguinte, em 2023, esses meninos começaram a ser suporte para o processo de iniciação científica e desenvolvimento de projetos dos alunos regulares. Recentemente fomos visitados pela Fundação Roberto Marinho. Foi nesse momento que a Prefeitura Municipal começou a fornecer bolsas de iniciação científica para esses alunos. Hoje temos uma grade curricular interdisciplinar dentro da escola, que serve para alunos mentores e regulares do 9º ano.


Foto: Kércia Veloso
Foto: Kércia Veloso

Quem coordena o projeto e como está a visibilidade hoje dessa iniciativa?


A estrutura de liderança do programa é composta por mim, que sou coordenador geral; um conselho de trainees do programa, que são alunos universitários, os fundadores do programa; e um conselho de coordenação de área que supervisiona as pesquisas dos mentores. Já temos 33 trabalhos aprovados e apresentados em congressos nacionais e internacionais, artigos publicados e alguns em andamento. Já saímos em alguns veículos de mídia, como a Band e outros. Eu também sou colunista da revista Nova Escola. Nós temos hoje um padrão metodológico sólido para desenvolver a capacidade científica, mas também humana, porque partimos da educação integral. A sustentabilidade, para ser trabalhada tanto no âmbito social quanto socioambiental, precisa ter essa conexão com a comunidade e com a realidade do meu aluno.



Os jovens mentores têm entre 15 e 21 anos. Como é lidar com essas mentes de diversos períodos da vida?


Eu digo que eles se apaixonam no processo, mas o início é uma dor de cabeça, porque sabemos que pesquisa parte por processos de erros, ajustes e repetições.

Na maioria das vezes é desafiador convencer meus alunos mentores a aceitar esse processo de erro: vai errar, vai errar de novo, vai dar certo, mas depois vai dar errado novamente e você vai precisar consertar.

Construir uma consciência científica em diferentes níveis é desafiador, ao mesmo tempo que eu tenho um aluno que hoje já está na universidade, já é um mentor de terceiro ano, já é maduro, eu também tenho alunos que estão no primeiro ano de mentoria terminando as formações. O programa explora essas duas dimensões para conseguir extrair o melhor daquele mentor, acontece o mesmo com os alunos do nono ano. O lado bom disso tudo é que passam a ter quase que uma faixa etária equivalente, o que facilita a comunicação e o processo que tem dentro da construção de sala de aula. É desafiador, mas extremamente gratificante, quando se fundamenta isso mais cedo na vida acadêmica, pois eles terão uma desenvoltura muito melhor quando chegarem na universidade. Eu só soube o que era um artigo científico no segundo período de Biologia. Temos alunos que produzem resumos para congressos. Isso é fundamental para quando eles chegarem na universidade, terem um ideal de ciência claro e uma visão de construção de carreira.


As outras escolas também têm o Ciência na Veia ou é apenas aqui?


Apenas aqui. Porém, nós temos uma parceria com o Instituto Federal da Paraíba, Campus Itabaiana. Nossas instituições são parceiras através de um programa de iniciação científica. Temos, por exemplo, o caso do Gabriel, que desenvolveu óculos de realidade virtual com impressão 3D para crianças atípicas. Ele levou a pesquisa e fez dela seu TCC. Nós temos parceria entre as duas instituições — eu como coorientador, o orientador dele, e o IFPB acaba se tornando um local de incubação desses projetos, mas também de dispersão, por ser uma instituição federal com mais recursos, embora o financiamento do programa hoje venha da Secretaria de Educação e do Instituto Alpargatas. As parcerias acabam dando uma gama maior para o que pode ser impacto fora da nossa própria rede de ensino.


A gente tinha falado um pouquinho antes sobre as bolsas. Como é para os alunos receberem esse incentivo?


No início começamos sem as bolsas, mas isso era uma meta desde o início porque para termos um investimento consolidado, primeiro precisávamos fundamentar resultados. As bolsas acabam sendo um incentivo a mais para o aluno, que começa a ter seu início de renda própria através da bolsa. Eles passam a ter independência, a se organizar financeiramente. Para muitos, é o primeiro momento lidando com finanças próprias. Também é um modo de valorização do trabalho. Claro que a meta é que eles amadureçam seus projetos dentro de um tempo específico para que esses gerem renda para os alunos. Mas se torna um incentivo crucial para o funcionamento do programa, tanto para que tenham independência de pesquisa quanto para que se sintam valorizados no trabalho que realizam enquanto significância.


A iniciação científica é algo próprio do ensino superior, e agora está sendo trazida para o ensino fundamental. Isso faz uma diferença muito grande na formação deles? De que forma?


Primeiro eles começam a entender de forma mais específica como o conhecimento é construído. Entendem que ciência não é só experimento que põe fogo ou mistura de substâncias que mudam de cor. Como temos conexão com o território e com as demandas enfrentadas pelos meus alunos, isso faz com que a significância — e aí falamos de um ponto de vista neurológico com os níveis estruturais de atividade humana — Quando o cérebro passa por uma necessidade inicial, ele começa a gerar e construir conhecimento de forma mais eficiente. Passamos também por questões socioemocionais, porque o adolescente está com um suco de hormônio no seu próprio cérebro, com crises de autoconfiança. Quando ele começa a ver que o trabalho dá resultado, a parte do acreditar em si começa a ser vivenciada. Eu costumo dizer que a tecnologia é essencial hoje, mas ela não traz todas as respostas. É tolice banir tecnologia da sala de aula em um mundo globalizado, mas também é tolice trabalhar sem um significado por trás desse processo. A partir do momento em que o meu aluno tem contato com artigos científicos, utiliza o Chat GPT para fazer meta-análises, começa um trabalho de mapeamento de dados em ciências e vai para a aula de matemática fazer aulas de porcentagem e construção de gráficos para comparar resultados — tudo isso mostra que conhecimento não é só adquirido, ele é construído.


Foto: Gerson Bruno
Foto: Gerson Bruno

Olhando para todos esses frutos o que recorda do Linando do início dessa trajetória e o conecta ao presente?


O Ciência na Veia cresceu rápido demais. Com alguns meses de fundação, já tínhamos programas de trainees globais aqui no laboratório fazendo masterclass com a gente. Uns meses depois, estávamos refazendo um edital de um prêmio de educação de mais de 10 anos. Presidentes internacionais, instituições federais nos visitando. Mas o que mais me encanta é olhar para os meus alunos hoje e ver o grau de transformação que eles tiveram nesse processo. Um dia, conversando com um aluno de nono ano, ele disse: “eu cresci vendo o Manual do Mundo e sempre quis fazer aquelas coisas e eu não tinha onde fazer isso. Quando cheguei no nono ano, descobri um laboratório e uma aula que ia me ajudar a fazer tudo isso.” Só que eu tenho TDAH e minha mente desligou nesse momento. E o que aquele aluno não sabia é que eu também passei a adolescência vendo o Manual do Mundo. Quando eu estudei, eu não tinha laboratório. Então, o Linaldo professor faz com os alunos o que o Linaldo adolescente queria fazer. Às vezes a gente está tomando café no laboratório e lembrando que há alguns anos a gente comia miojo e madrugava no colégio. 


Como se sente fazendo parte da transformação social de tantos jovens e adolescentes através da educação?


Cara, às vezes eu acho que estou delirando. Porque para todos nós, o Ciência na Veia cresceu rápido demais. Com alguns meses de fundação, já tínhamos programas de trainees globais aqui no laboratório fazendo masterclass com a gente. Uns meses depois, estávamos refazendo um edital de um prêmio de educação de mais de 10 anos. Presidentes internacionais de people, instituições federais nos visitando. Mas o que mais me encanta é olhar para os meus alunos hoje e ver o grau de transformação que eles tiveram nesse processo.

Um dia, conversando com um aluno de nono ano, ele disse: “eu cresci vendo o Manual do Mundo e sempre quis fazer aquelas coisas e eu não tinha onde fazer isso. Quando cheguei no nono ano, descobri um laboratório e uma aula que ia me ajudar a fazer tudo isso.”

Só que eu tenho TDAH e minha mente desligou nesse momento. E o que aquele aluno não sabia é que eu também passei a adolescência vendo o Manual do Mundo. Quando eu estudei, eu não tinha laboratório. Então, o Linaldo professor faz com os alunos o que o Linaldo adolescente queria fazer. Às vezes a gente está tomando café no laboratório e lembrando que há alguns anos a gente comia miojo e madrugava no colégio. Hoje temos uma estrutura bem fundamentada, somos reconhecidos nacionalmente, temos metodologia aprovada pelo Conselho Municipal de Educação. Quando a Fundação Roberto Marinho chegou no Conedu no nosso stand dizendo “Nós vamos ver a feira de vocês”, foi inesperado, mas extremamente satisfatório. Temos orgulho de ser a escola que mais coloca alunos no IFPB. Recebemos muitos elogios do campus dizendo que nossos alunos não vão para aprender ciência, vão para questionar o que é feito lá. São esses resultados de transformação que encantam. Já tivemos alunos em vulnerabilidade, envolvidos com drogas, que tiveram suas vidas transformadas pelo trabalho no laboratório. Houve anos sem domingos nem feriados: os meninos vinham para a escola porque precisavam terminar projetos. Já dormimos na escola porque uma impressora 3D estava funcionando e a peça durou 28 horas. Em um país em que manter aluno dentro da sala é um desafio, ter uma escola funcionando no domingo porque o aluno quer estar lá é um diferencial gigantesco.


Mentor do Programa de Iniciação Científica Ciência na Veia  Foto: Kércia Veloso
Mentor do Programa de Iniciação Científica Ciência na Veia Foto: Kércia Veloso

Olhando o panorama nacional, qual a sua visão sobre os desafios do nosso sistema educacional?


Vivemos um processo educacional baseado em números e, avaliativamente falando, isso é extremamente falho. A própria BNCC, apesar de trabalhar letramento científico de forma eficaz, ainda precisa melhorar em diversos pontos, como volumes monstruosos de conteúdo, avaliações externas que não condizem com a realidade dos alunos. Mas, acima de tudo, é preciso alinhar o que de fato é o universo experimentativo deles. Educação não é sobre números, é sobre pessoas. E como escolas estão conectadas a um leque muito complexo de realidades, sobretudo em um contexto em que muita coisa que era obrigação familiar virou trabalho social de suporte da escola, falta hoje à educação brasileira dosar o que se chama de inovação, busca por conhecimento, geração e modernidade. O Brasil é um país que se digitalizou antes de se alfabetizar funcionalmente. Posso ter aluno que faz diversas coisas com tecnologia no celular, mas não são capazes de interpretar um texto. O que mais vemos são discussões em redes sociais de pessoas que não interpretam fatos. Então, antes de uma corrida tecnológica, a educação precisa começar por uma corrida humanística e formativa. Hoje a educação primeiro precisa aprender a trabalhar com pessoas, para depois querer trabalhar tecnologia e números.


Expediente

Entrevistados: Linaldo Oliveira

Supervisão Editorial: Rostand Melo e Ada Guedes

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