• Guilherme Vitor, Maria Leticia e Sara Letícia

Letícia: História de superação, reinvenção e força de uma artesã

“Desde muito cedo o crochê foi uma forma de driblar o desemprego em minha região, se tornando uma fonte de renda.”


Empreendedora informal, Letícia dos Santos Leite, de 20 anos, é estudante de Letras espanhol pela UEPB, e nasceu em Barra de São Miguel-PB, cidade localizada a cerca de 200 km da capital João Pessoa. Reside atualmente com a avó, o pai e a irmã na zona rural do mesmo município localizado no Cariri do estado, região que sofre com longas estiagens, e baixa oportunidade de emprego, mas abundante em cultura, resistência e arte, como a que Letícia e tantas outras artesãs produzem.


Sua história com o artesanato começa a ser traçada desde muito nova, tendo o seu pai Edivaldo como principal responsável em sua formação, ela passa a ter a participação de sua avó paterna em seu desenvolvimento. Com essa criação, a jovem começa a observar e se cativar com as artes produzidas por sua querida avó Maria José, atualmente com 78 anos. A sua curiosidade evidencia o interesse em aprender um pouco mais daquilo que seus olhos se prendiam ao ver peças completamente prontas feitas por uma simples linha e uma agulha de crochê.


“Eu a via fazendo e eu não entendia como que ela conseguia fazer da linha, uma peça. Aí eu fui olhando, olhando e aprendi. Depois disso eu comecei criando coisas só para mim.’’

Com o tempo, a jovem aprende a pôr em prática tudo aquilo que observava sua avó fazer, com o conhecimento adquirido passa a produzir peças não só para ela, mas como fonte de renda.



O começo e as frustrações de uma jovem artesã.

Ao atingir sua juventude, começa a produzir bastante material para revenda. No entanto, como nem tudo são flores. Letícia passa a enfrentar alguns desafios para se manter de pé. Segundo ela, os compradores não costumam valorizar tamanho valor agregado em uma peça feita a mão, e acabam desmerecendo um trabalho árduo de dedicação.


“Querendo ou não, as pessoas quando veem uma peça de crochê, não entendem todo o trabalho feito por trás. Além disso, tem o material e tempo que é gasto.”



A jovem retrata das vezes que pensou em desistir, e das formas de discriminação que já sofreu por ser uma jovem artesã.


“Já sofri um certo tipo de descriminação por ser relativamente nova, fazendo crochê. Porque para a maioria, o crochê querendo ou não é uma coisa tratada como sendo de “vovó”, de idoso, e quando me viam utilizando dessas ferramentas, surgiam piadinhas.”

Contudo, ela continuou a produzir sua arte. Ao ser questionada a cerca disso, ela responde que o crochê desde muito cedo foi uma forma de driblar o desemprego na região onde mora, pois, os empregos em Barra de São Miguel são escassos. Dessa forma, desistir seria desvalorizar a fonte de renda que o crochê a proporcionaria.



A volta por cima mesmo em tempos de pandemia


Letícia não desistiu, investiu no seu negócio de artesã, e mesmo em meio à crise financeira no qual nosso país enfrenta atualmente. Ela persistiu em se reinventar, mesmo com a falta de materiais, a jovem seguiu criando inovações para alcançar seus clientes, utilizando das redes sociais para divulgar seu trabalho.


“Com as redes sociais acabo recebendo encomendas de diversas cidades circunvizinhas e até mesmo de capitais.”

Ela afirma que com a pandemia teve que começar a dar aulas de reforço para ajudar na renda, mas que está sempre conciliando com as vendas dos crochês e ganhando cada vez mais visibilidade em Barra de São Miguel e cidades vizinhas, mesmo em meio a pandemia.


Demostrando felicidade, ela expressa o quanto se sente em paz ao tricotar uma peça. Após ser questionada sobre Letícia conta que esse sentimento é algo inexplicável.


“Essa é uma profissão onde se trabalha sem sentir, não vejo nem o tempo passar, pois, fico focada em cada pontinho que tenho que traçar. O crochê significa uma mescla de amor e paciência, porque se não tiver paciência, você não consegue fazer, e essa paciência só é adquirida pelo amor, em cada detalhe ao tricotar.”



Fontes:

Letícia dos Santos Leite – Artesã e discente UEPB em Letras espanhol

Telefone para contato: 9 8790-8317

E-mail: leticia.leti87@gmail.com

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FICHA TÉCNICA

Reportagem e fotografia: Sara Letícia

Redatores: Guilherme Vitor, Maria Leticia e Sara Letícia

Produção textual e edição de fotos: Maria Leticia

Monitoria: Andresa Alves, Oma Roxana e Louise Viana

Supervisão Editorial: Rostand Melo



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