• gabrielvirgilio

Como a pandemia afetou as atividades religiosas no interior paraibano

Muitas áreas de interesse público foram afetadas neste período pandêmico, a religião foi uma destas áreas. Cidades pequenas e simples, a exemplo de Mulungu, no agreste paraibano, ainda perpetuam uma forte efervescência na tradição cristã. Estas cidades são notoriamente as que mais sentiram o impacto da pandemia nas atividades religiosas.

Mulungu, cidade de pouco menos de 10.000 habitantes, no agreste paraibano.

De acordo com o último censo demográfico, 91.82% dos cidadãos mulunguenses se declaram católicos, 6% se declaram evangélicos e 2.18% são adeptos às demais religiões, ao agnosticismo e ao ateísmo. Com enorme maioridade cristã, onde podemos destacar uma imensa superioridade católica romana, as restrições quanto à participação dos fiéis nos templos religiosos causaram estranheza à sociedade da pacata cidade paraibana.


Igreja Matriz de Santo Antônio, Mulungu, Paraíba

Em fevereiro de 2020, Dom Aldemiro Sena, bispo diocesano de Guarabira, ordenou a suspensão das atividades presenciais em todas as paróquias de sua diocese, afetando várias cidades do Brejo e do Agreste paraibano que estão vinculadas à Diocesis Guarabirensis. Tal decreto foi imposto seguindo a recomendação arquidiocesana e também do governo estadual.


Nave da Matriz

O Padre João Bosco, administrador da paróquia de Mulungu, deu a seguinte declaração sobre as celebrações eucarísticas sem a presença dos fiéis:

“Eu tenho 32 anos de padre e a vida inteira eu celebrei com as igrejas abertas e com muita gente. Me recordo de muitas celebrações sendo feitas nas praças, ou seja, com as multidões presentes. Na Sexta Feira da Paixão, também estamos celebrando a paixão do povo com esse número assustador de mortes.”
Igreja vazia, vista desde o altar onde é realizada a Celebração Eucarística

Com os decretos governamentais e diocesanos, as paróquias precisaram se reinventar para levar a missão pastoral aos seus paroquianos. Com isso, as missas dominicais passaram a ser transmitidas através das mídias sociais:

"Nós já tínhamos feito alguns ensaios antes mesmo da pandemia, mas nossas transmissões não tiveram muito impacto. O impacto maior foi quando passamos a transmitir com a Igreja fechada. A maior dificuldade, para uma Igreja grande como a nossa, foi realizar missas com apenas 12 pessoas, como o decreto permitia. Mas também foi gratificante, nossas transmissões são bem aceitas e muito bem vistas." - afirmou o Padre Bosco.
Equipamento usado para a realização das transmissões

Atualmente, as igrejas operam com 50% de sua capacidade, de acordo com o decreto estadual, acatado pela Arquidiocese da Paraíba e pelas demais dioceses do Estado. Desta forma, as paróquias estão sendo cautelosas em relação aos cuidados recomendados pela OMS, demarcando os locais onde os fiéis podem ou não ocupar, delimitando o espaçamento entre as pessoas e pondo álcool 70% à disposição do público presente.


Marcação permitindo a ocupação de um dos bancos da paróquia

Não há previsão para o retorno da capacidade máxima das igrejas. Quanto a isso o Padre João Bosco afirmou que: “Ainda acho que a vacinação está muito lenta, a não ser que neste segundo semestre ocorra um aceleramento e consigamos 50% da população totalmente vacinada. Mas, como a Diocese não emite mais normas, operamos de acordo com o decreto estadual.”


ATUALIZAÇÃO


VACINAÇÃO

De acordo com dados divulgados pelo consórcio de veículos de imprensa nesta quinta, 09 de dezembro, o Brasil atingiu o índice de 65,09% da população totalmente vacinada contra a Covid-19 (duas doses ou vacina de dose única). As estatísticas apontam ainda que 74,99% da população recebeu ao menos a primeira dose e 9,27% a dose de reforço.


DIOCESE DE GUARABIRA - LIBERAÇÃO DOS EVENTOS RELIGIOSOS

Em 25 de novembro de 2021 o bispo diocesano de Guarabira, Dom Aldemiro Sena dos Santos, revogou os decretos anteriores relacionados à pandemia da Covid-19. Com a decisão, o bispo autorizou a realização das procissões e determinou o retorno obrigatório dos fiéis de participarem na Eucaristia nos domingos, dias de preceito, a menos que estejam justificados, por motivo sério.


A decisão foi divulgada no decreto nº 30/2021. O documento ressalta ainda que devem ser tomados todos os cuidados, com o respeito aos protocolos sanitários de prevenção à Covid-19. O bispo orienta ainda que as paróquias e santuários devem dialogar com os poderes públicos para a realização de evento, no que diz respeito às normas vigentes referentes à pandemia.


 

FICHA TÉCNICA Fotografia e reportagem: Gabriel Abdon Monitoria: Myrlla dos Anjos Supervisão editorial: Rostand Melo

67 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo