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O uso da inteligência artificial na rotina universitária: entre facilidades e consequências

  • coletivof8noite
  • 26 de mar.
  • 3 min de leitura

O uso da inteligência artificial tem se tornado cada vez mais presente na vida de estudantes universitários, principalmente na realização de trabalhos e atividades acadêmicas. A facilidade e a rapidez no acesso às informações têm influenciado diretamente a forma como os alunos estudam e produzem conteúdo. A facilidade e a rapidez no acesso às informações têm influenciado diretamente a forma como os alunos estudam e produzem conteúdo. Segundo pesquisa divulgada pela CNN Brasil, 52% dos universitários brasileiros já utilizam inteligência artificial nos estudos.


Durante a apuração da reportagem, estudantes de diferentes cursos foram entrevistados sobre o uso da Inteligência Artificial em atividades acadêmicas. Um estudante de 20 anos, do curso de Educação Física, que preferiu não ter seu nome identificado na matéria, afirmou que utiliza a tecnologia, mas de forma limitada. Segundo ele, a ferramenta “ajuda em alguns pontos”, apesar de não usar com frequência.






Já a estudante do curso de Jornalismo, Kércia Veloso, de 20 anos, relatou que utiliza a inteligência artificial de forma exporádica e acredita que, dependendo da forma como é usada, pode trazer benefícios para o aprendizado. Para ela, o uso exagerado pode prejudicar o desenvolvimento do senso crítico, já que a máquina não possui pensamento próprio nem vivência para interpretar a realidade e gera uma certa comodidade no estudante.






Essa consequência também aparece no relato de outros estudantes, que afirmam que muitos universitários já não conseguem realizar atividades simples sem recorrer à inteligência artificial. Para eles, isso pode comprometer o desenvolvimento cognitivo, já que os alunos deixam de exercitar habilidades básicas. Segundo o pesquisador Seiji Isotani, professor da USP e especialista em inteligência artificial aplicada à educação, o uso dessas tecnologias precisa ser equilibrado para não prejudicar o desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes.


A percepção dos professores reforça essa mudança no ambiente acadêmico. O professor e sociologo Kleiton Wagner afirma que o uso da inteligência artificial já impacta diretamente a forma como os alunos produzem trabalhos. Segundo ele, é cada vez mais comum identificar textos com características de IA, como ausência de erros e estrutura muito organizada, mas com traços artificiais.


O docente também destaca que o uso excessivo pode prejudicar o processo de aprendizagem. Para ele;

Quando o aluno deixa de produzir por conta própria, perde a oportunidade de errar e aprender, o que é essencial na formação acadêmica.

Além disso, o professor aponta que alguns estudantes estão se tornando dependentes dessas ferramentas, deixando de buscar conhecimento em livros e artigos acadêmicos. Isso, segundo ele, pode resultar em um aprendizado superficial.


Como forma de enfrentar esse cenário, o professor defende que as universidades adotem medidas de orientação, como a criação de núcleos de ética acadêmica e políticas de uso da inteligência artificial, além da realização de palestras e cursos sobre o tema.


Gilmara de Melo Ferreira Alves - Doutora em Ciências Sociais PPGCS/ UFCG e Professora da UEPB, afirma que o uso excessivo da inteligência artificial acarreta um certo comprometimento nos níveis de aprendizagem.

Quando o estudante passa a recorrer sempre a IA, acaba comprometendo seu esforço criativo, interpretação textual, pensamento crítico, escrita autoral, etc.

Para ela, trata-se de uma consequência do imediatismo de cada dia, de querer tudo de forma rápida e pronta. Acaba gerando dependência e superficialidade, pois muitas vezes os alunos não sabem utilizar a IA, mesmo sendo uma ótima ferramenta. Então os riscos são perda de autoria, da capacidade mínima pensante, eles acabam não compreendendo de fato o conteúdo.


Segundo ela isso pode acarretar em uma futura falta de conhecimento básico sobre questões sociais e políticas. Ela também afirma que a IA é uma otima ferramenta tecnológica de rapidez, e que é muito acertiva. Ela indica tratar a IA como ferramenta de apoio e não como material principal de estudo. Pode ser usada para esclarecer dúvidas, confirmar respostas, revisar conteúdos, organizar ideias, e organizar textos.




EXPEDIENTE

Reportagem e texto: Emily Vitoria e Livia Nunes Monitoria: Leticia Falcão Supervisão editorial: Ada Guedes e Rostand Melo


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